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Parceria exitosa contra a AIDS

Camila Morgado posou para foto em calendario de Cabeleireiros contra a AIDS
Camila Morgado posou para foto em calendario de Cabeleireiros contra a AIDS

Des­de que sur­giu, em 1986, pri­mei­ro co­mo pro­gra­ma, o De­par­ta­men­to de Aids do go­ver­no fe­de­ral traçou co­mo uma de su­as li­nhas de atuação o fo­co em ações, tan­to na área de pre­venção quan­to no aces­so ao tra­ta­men­to, nas po­pu­lações em si­tuação de mai­or vul­ne­ra­bi­li­da­de. Pa­ra che­gar a es­se gru­po – gays, ho­mens que fa­zem se­xo com ho­mens, pro­fis­si­o­nais do se­xo, Tra­ves­tis, Tran­se­xu­ais e usuári­os de dro­gas -, des­de o início fi­cou evi­den­te que não se­ria possível pa­ra o go­ver­no atu­ar de for­ma iso­la­da. O Es­ta­do não con­se­guia al­cançá-los, mes­mo com to­do o apor­te de re­cur­sos fi­nan­cei­ros e ge­ren­ci­ais. Foi com a aju­da das or­ga­ni­zações so­ci­ais, que têm aces­so e cre­di­bi­li­da­de pe­ran­te es­sas co­mu­ni­da­des, que se con­se­guiu cons­truir uma políti­ca públi­ca di­re­ci­o­na­da pa­ra o con­tro­le da epi­de­mia de AIDS no Bra­sil.

São 26 anos de par­ce­ria. Com al­tos e bai­xos, mas bus­can­do sem­pre cons­truir o in­te­res­se públi­co, com in­clusão so­ci­al. Avançamos mui­to, tra­ba­lhan­do jun­tos pa­ra evi­tar que no­vas pes­so­as se­jam in­fec­ta­das pe­lo HIV e pa­ra pro­por­ci­o­nar, a quem já vi­ve com o vírus, um tra­ta­men­to in­te­gral de qua­li­da­de. Nes­se sen­ti­do, o pa­pel da so­ci­e­da­de ci­vil, vol­ta­do prin­ci­pal­men­te à de­fe­sa dos di­rei­tos hu­ma­nos, se mos­tra es­sen­ci­al.

O con­tro­le so­ci­al exer­ci­do pe­las or­ga­ni­zações não go­ver­na­men­tais também é im­por­tan­te pa­ra ga­ran­tir a im­ple­men­tação de di­re­tri­zes e es­tratégi­as traçadas co­mo ne­cessári­as por quem está na pon­ta. É es­se con­tro­le que faz com que o aten­di­men­to se­ja ga­ran­ti­do, que o di­agnósti­co pre­co­ce se­ja am­pli­a­do e que os di­rei­tos in­di­vi­du­ais se­jam res­pei­ta­dos.

Es­ses gran­des par­cei­ros, no en­tan­to, têm en­fren­ta­do di­fi­cul­da­des re­la­ci­o­na­das à questão de sus­ten­ta­bi­li­da­de. Pro­ble­mas que re­mon­tam à criação da le­gis­lação, na déca­da de 1990, que es­ta­be­le­ce as re­lações en­tre Es­ta­do e so­ci­e­da­de ci­vil. Por ser mui­to pragmáti­ca, não con­si­de­ra as imen­sas di­fe­renças en­tre es­sas es­tru­tu­ras or­ga­ni­za­ti­vas. Com is­so, tem-se uma si­tuação jurídi­ca ex­tre­ma­men­te com­ple­xa e que pre­ci­sa ser re­vis­ta. Em nos­so en­ten­di­men­to, o mar­co re­gu­latório das ONGs pos­si­bi­li­ta­ria ajus­tes na for­ma de tra­ta­men­to e no re­la­ci­o­na­men­to en­tre go­ver­no e so­ci­e­da­de ci­vil. As fon­tes de fi­nan­ci­a­men­to pa­ra as or­ga­ni­zações que tra­ba­lham na área de saúde também pre­ci­sam ser re­dis­cu­ti­das.

Com re­lação ao mon­tan­te de re­cur­sos re­pas­sa­do pe­lo go­ver­no fe­de­ral às ONGs pa­ra a re­a­li­zação de ações, o Bra­sil ga­nha des­ta­que, in­clu­si­ve en­tre os países de­sen­vol­vi­dos. Pa­ra se ter ideia, du­ran­te a XIX Con­ferência In­ter­na­ci­o­nal so­bre AIDS, re­a­li­za­da em ju­lho, em Washing­ton (EUA), a se­cretária de Es­ta­do ame­ri­ca­na, Hil­lary Clin­ton, foi aplau­di­da de pé por anun­ci­ar o re­pas­se de US$ 2 mi­lhões pa­ra or­ga­ni­zações não go­ver­na­men­tais da­que­le país. No Bra­sil, so­men­te no últi­mo edi­tal des­te ano, o va­lor des­ti­na­do pe­lo go­ver­no pa­ra es­sas ins­ti­tuições foi de R$ 10 mi­lhões. Em 2012, até o mo­men­to so­ma­mos R$ 14 mi­lhões de re­cur­sos vol­ta­dos ex­clu­si­va­men­te pa­ra o ter­cei­ro se­tor bra­si­lei­ro por meio de convêni­os. Va­le res­sal­tar os de­mais apoi­os ofe­re­ci­dos de for­ma di­re­ta, co­mo des­lo­ca­men­tos, par­ti­ci­pações em even­tos etc.

Na par­te que nos ca­be, te­mos tra­ba­lha­do pa­ra vi­a­bi­li­zar a con­ti­nui­da­de des­sas or­ga­ni­zações. Por meio de um gru­po de tra­ba­lho, do qual par­ti­ci­pa­ram go­ver­no e so­ci­e­da­de, con­se­gui­mos le­var a apro­vação da isenção da exigência do Cer­ti­fi­ca­do de En­ti­da­de Be­ne­fi­cen­te de As­sistência em Saúde (Ce­bas) pa­ra a Lei de Di­re­tri­zes Orçamentári­as (LDO). As­sim, em 2013, ONGs que tra­ba­lham nas áre­as de pre­venção e pro­moção à saúde, no cam­po das DST, AIDS e He­pa­ti­tes Vi­rais, terão mais fa­ci­li­da­de de aces­so aos re­cur­sos públi­cos fe­de­rais e in­ter­na­ci­o­nais. Is­so por­que o cer­ti­fi­ca­do era mais um en­tra­ve bu­ro­cráti­co que di­fi­cul­ta­va o aces­so das ins­ti­tuições aos re­cur­sos.

Des­de 1999, o Mi­nistério da Saúde apoia a re­a­li­zação de ações de pre­venção pro­mo­vi­das pe­lo mo­vi­men­to so­ci­al. Nes­se sen­ti­do, já re­pas­sou, por meio de edi­tais públi­cos, R$ 247 mi­lhões. Mon­tan­te que fi­nan­ci­ou exa­tos 6.387 pro­je­tos.

Não po­de­mos dei­xar de des­ta­car que a so­ci­e­da­de ci­vil or­ga­ni­za­da foi, em par­te, res­ponsável por uma das mai­o­res con­quis­tas do pro­gra­ma de Aids bra­si­lei­ro, que é o aces­so uni­ver­sal ao tra­ta­men­to. A dis­tri­buição gra­tui­ta, ga­ran­ti­da pe­la Lei nº 9.313, foi fru­to da pressão exer­ci­da pe­lo mo­vi­men­to, es­pe­ci­al­men­te o de pes­so­as vi­ven­do com o vírus. E está cla­ro pa­ra nós, go­ver­no, que a con­ti­nuação da res­pos­ta bem-su­ce­di­da do Bra­sil à epi­de­mia de HIV/AIDS e de he­pa­ti­tes vi­rais pre­ci­sa do en­vol­vi­men­to des­sas or­ga­ni­zações.

Edu­ar­do Bar­bo­sa, di­re­tor-ad­jun­to do De­par­ta­men­to de DST, Aids e He­pa­ti­tes Vi­rais do Mi­nistério da Saúde

1º de Dezembro. Dia Mundial de Luta contra a AIDS
1º de Dezembro. Dia Mundial de Luta contra a AIDS

COR­REIO BRA­ZI­LI­EN­SE – DF | OPI­NIÃO

DST, AIDS E HE­PA­TI­TES VI­RAIS | AS­SUN­TOS RE­LA­CI­O­NA­DOS À DST/AIDS E HE­PA­TI­TES

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