Presos acusados de torturar e assassinar jovem
Publicado em 25 de junho de 2010 (há 16 anos, 3 meses e 29 dias)Atualizado em 31 de julho de 2026 (há 2 meses e 23 dias) DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações....
DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO
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| O GLOBO | RIO LGBT 24/06/2010 Segundo delegado de São Gonçalo, três suspeitos seriam “skinheads” e incitavam, pela internet, o ódio aos homossexuais Luiz Gustavo Schmitt Foram presos ontem os suspeitos de sequestrar, torturar e estrangular o estudante Alexandre Thomé Ivo Rojão, de 14 anos. O corpo do adolescente foi encontrado num terreno baldio no bairro da Califórnia, em São Gonçalo, na madrugada de segunda-feira. Eric Boa Hora Bedruim, de 23 anos, Alan Siqueira Freitas, de 23, e André Luiz Cruz Souza, de 23, são acusados de praticar homicídio duplamente qualificado por motivo torpe. A pena prevista para o crime é de 12 a 30 anos de detenção. O delegado Geraldo Assed, da 72aDP (Mutuá), suspeita que o crime tenha sido motivado por homofobia. Segundo Assed, os suspeitos utilizavam redes sociais na internet para incitar o ódio aos homossexuais: – Apuramos que os suspeitos são homofóbicos. Eles se denominam skinheads. Os três suspeitos negaram a autoria do crime. Em depoimento, Eric admitiu já ter feito parte de um grupo de skinheads (jovens extremistas e violentos). Segundo a polícia, Alexandre participava com colegas de uma festa de aniversário durante o jogo do Brasil com a Costa do Marfim, no domingo, quando houve uma briga entre um grupo de amigos do estudante e um outro. Após o confronto, os amigos de Alexandre prestaram queixa por agressão na 72 aDP (Mutuá). Depois de sair da delegacia, o grupo foi para a residência de uma amiga, na Rua Coronel Camisão, no Mutuá, próximo ao local da festa. Por volta de 1h30m da segundafeira, Alexandre decidiu ir para casa sozinho. Ele foi visto com vida pela última vez num ponto de ônibus do bairro. De acordo com a polícia, o jovem foi espancado antes de ser morto por enforcamento. No laudo cadavérico, consta que ele foi morto por asfixia, tendo sido enforcado com a própria camisa. O documento também cita lesões graves no crânio da vítima, provavelmente causadas por agressões com pedras, pedaços de madeira e objetos de ferro. Suspeitos identificados graças ao Disque-Denúncia Os suspeitos foram identificados por meio de ligações feitas ao Disque-Denúncia (22531177), informando que um Corsa branco, pertencente a um dos acusados, fora visto, com três jovens dentro, próximo ao local onde o corpo tinha sido encontrado. A pedido da polícia, a Justiça então decretou a prisão temporária deles. Alexandre foi enterrado ontem no Cemitério São Gonçalo. De acordo com parentes, enquanto o corpo era embalsamado, os suspeitos do crime passaram de carro em frente ao cemitério diversas vezes, com a intenção de intimidar amigos e familiares da vítima. Muito abalada, a mãe de Alexandre, a assistente administrativa Angélica Vida Ivo, de 40 anos, disse acreditar que o crime tenha sido motivado por intolerância e negou que o filho fosse HOMOSSEXUAL. Ela afirmou ainda que o assassinato foi um “ato de covardia”. – O Alexandre era uma criança em formação. Nunca usou drogas, nem fumou. Era heterossexual, mas podia até ter amigos que tinham outras opções sexuais, porque respeitava todos. Ele era muito inteligente, gostava de ler e tirava boas notas no colégio. O que aconteceu foi um ato de covardia e intolerância. Não sabia nem que existiam skinheads gonçalenses. Essas pessoas são más e praticam artes marciais para agredir os outros. O Alexandre ficou com o rosto desfigurado – disse a mãe, aos prantos. A família dos suspeitos não quis dar declarações à imprensa. |
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