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Presos afirmam que são torturados

Inúme­ras ir­re­gu­la­ri­da­des fo­ram iden­ti­fi­ca­das den­tro da mai­or pe­ni­ten­ciária do Es­ta­do. Re­la­tos de tor­tu­ra de pre­si­diári­os por par­te de agen­tes car­cerári­os, aten­di­men­to médi­co in­sig­ni­fi­can­te, su­per­lo­tação e fal­ta de água. Es­ses são os prin­ci­pais e pi­o­res pro­ble­mas iden­ti­fi­ca­dos du­ran­te a fis­ca­li­zação na Pe­ni­ten­ciária Cen­tral do Es­ta­do, re­a­li­za­da on­tem (18) por in­te­gran­tes do Con­se­lho Na­ci­o­nal do Mi­nistério Públi­co e pro­mo­to­res cri­mi­nais do Núcleo de Exe­cução Pe­nal em Cui­abá.

O con­se­lhei­ro Ma­rio Luiz Bo­sa­glia clas­si­fi­cou co­mo ina­ceitável as si­tuações de tor­tu­ra pra­ti­ca­das por agen­tes da própria pe­ni­ten­ciária e re­la­ta­das por pre­sos du­ran­te a ins­peção. Se­gun­do o con­se­lhei­ro, nos re­la­tos, os pre­sos afir­mam que es­se ti­po de vi­olência acon­te­ce com frequência. Fren­te a es­sa vi­o­lação dos di­rei­tos hu­ma­nos, ele afir­ma que a pro­mo­to­ria já pro­vi­den­ci­ou en­ca­mi­nha­men­tos.

As 1,8 mil pes­so­as de­ti­das na pe­ni­ten­ciária usu­fru­em de um aten­di­men­to médi­co tão precário que os con­se­lhei­ros ca­rac­te­ri­zam co­mo ine­xis­ten­te. Na ins­peção foi cons­ta­ta­do que exis­te ape­nas um médi­co pa­ra to­das es­sas pes­so­as, o qual com­pa­re­ce à pe­ni­ten­ciária so­men­te em al­guns di­as na se­ma­na e por ape­nas 1 ho­ra. “Ou­vi­mos ca­sos de que há pre­sos com TU­BER­CU­LO­SE di­vi­din­do o mes­mo es­paço com ou­tras pes­so­as; de gen­te com per­na que­bra­da sem en­ca­mi­nha­men­to. O médi­co de­ve­ria ir to­dos os di­as e cum­prir as 6h de tra­ba­lho”, apon­ta a con­se­lhei­ra Ma­ria Es­ter Ta­va­res.

A su­per­lo­tação é ex­plíci­ta, são 1,8 mil pes­so­as em um es­paço pro­je­ta­do pa­ra 700. Vin­te e cin­co pre­sos uti­li­zam um es­paço de 15 m2 que tem 8 ca­mas – o que já ul­tra­pas­sa o li­mi­te aceitável pe­ran­te a le­gis­lação, que é um pre­so pa­ra ca­da 7m2. Do to­tal de pre­sos, se­gun­do o pro­mo­tor de Jus­tiça Ru­bens Al­ves de Pau­la, 50% são pro­visóri­os, aque­les sem con­de­nação de­fi­ni­ti­va, e ou­tra gran­de par­te de­ve­ria es­tar no re­gi­me se­mi­a­ber­to – o qual também tem um núme­ro de va­gas in­sig­ni­fi­can­te na ava­liação do pro­mo­tor. “Estão to­dos jun­tos, sem ne­nhum critério. Se­pa­rar pre­sos pro­visóri­os de de­fi­ni­ti­vos é bási­co”, pon­tua Bo­sa­glia.

Co­mo con­sequência, os pro­mo­to­res lem­bram que as pes­so­as que de­ve­ri­am es­tar no se­mi­a­ber­to aca­bam pu­lan­do es­sa eta­pa e pas­san­do di­re­to pa­ra o aber­to, fa­to que in­ter­rom­pe o pro­ces­so de res­so­ci­a­li­zação e con­tri­bui pa­ra que vol­tem à cri­mi­na­li­da­de.

Além do des­ca­so do Es­ta­do, o pro­mo­tor Ru­bens Al­ves des­ta­ca que ou­tro agra­van­te é o su­ca­te­a­men­to do Po­der Ju­di­ciário. Se­gun­do ele, a Va­ra de Exe­cução Pe­nal não tem fun­ci­onári­os su­fi­ci­en­tes, ou­tras tra­ba­lham ape­nas com um es­ta­giário e um es­crivão e as­sim os pro­ces­sos fi­cam mais de um ano pa­ra­dos. “Com is­so os pro­visóri­os fi­cam mais tem­po de­ti­dos do que de­ve­ri­am. O ju­di­ciário pre­ci­sa ser mais céle­re”.

O pro­ble­ma da su­per­lo­tação e fal­ta de aten­di­men­to míni­mo de saúde é po­ten­ci­a­li­za­do pe­la pre­ca­ri­e­da­de no abas­te­ci­men­to de água.

Ou­tro la­do – O pre­si­den­te do Sin­di­ca­to dos Ser­vi­do­res do Sis­te­ma Pri­si­o­nal, João Ba­tis­ta, dis­se que a denúncia de tor­tu­ra é um ca­so iso­la­do, fei­to por um pre­so que te­ria si­do agre­di­do na noi­te de quar­ta-fei­ra por um agen­te e que o ca­so já é in­ves­ti­ga­do e in­clu­si­ve foi re­gis­tra­do bo­le­tim de ocorrência.

Ca­ro­li­ne La­nhi

Da Re­dação

A GA­ZE­TA – MT | CI­DA­DES


Presos são torturados em presídio em Minas Gerais

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Nota do Editor de Soropositivo.Org:

 

Se eu fosse me manifestar com as poucas palavras adequadas com relação a estas pessoas, provavelmente eu seria processado!

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