Quase 10 milhões de crianças menores de 5 morrem ao ano

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O Globo Online

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23/JANEIRO/08

 

Plantão | Publicada em 22/01/2008 às 12h36m
Reuters/Brasil Online

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) – Quase 9,7 milhões de crianças morrem todos os anos antes de completar 5 anos de idade por conta de doenças como a pneumonia e a malária, mas medidas simples conseguiriam salvar muitas dessas vidas, afirmou na terça-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Apesar de a cifra ter baixado para menos de 10 milhões pela primeira vez, o número atual ainda significa que mais de 26 mil crianças morrem todos os dias, a maior parte delas de causas evitáveis.

No Brasil, a taxa de mortalidade na infância caiu de 57 mortes de menores de 5 anos por mil nascidos vivos em 1990 para 20 mortes por mil nascidos vivos em 2006. O país passou da 86a para a 113a posição no ranking mundial que coloca nas primeiras colocações as nações com as mais altas taxas de mortalidade na infância.

O Unicef alertou que, apesar dos avanços recentes, a África, o sul da Ásia e o Oriente Médio não se encontram no caminho para cumprir a meta fixada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir a mortalidade das crianças em dois terços entre 1990 e 2015, para menos de 5 milhões de mortes por ano.

"O tamanho do desafio não deveria ser subestimado", disse a agência em seu relatório anual, o "Estado das Crianças do Mundo".

Segundo a organização, o maior desafio encontra-se à frente: tentar aumentar a expectativa de vida das crianças em países assolados por epidemias de Aids e nos quais há governos fracos e sistemas de saúde ruins.

A África subsaariana está em uma situação pior do que em 1990, respondendo hoje por 49 por cento das mortes de crianças com menos de 5 anos, mas apenas por 22 por cento dos nascimentos. De cada seis crianças nascidas nessa empobrecida região, uma morre antes dos 5 anos de idade.

A partir de 1990, segundo o relatório, quase metade dos 46 países da África subsaariana registrou uma taxa de mortalidade de crianças estável ou em expansão. Apenas três deles – Cabo Verde, Eritréia e as Ilhas Seichelles – encontram-se no caminho de atingir a meta para 2015.

"Não há espaço para sermos complacentes", disse a diretora-executiva do Unicef, Ann Veneman.

"Precisamos nos esforçar mais para aumentar o acesso aos tratamentos médicos e aos recursos de prevenção, para enfrentar o impacto devastador da pneumonia, da diarréia, da malária, da desnutrição grave e do HIV (vírus da Aids)", disse Veneman, ex-secretária da Agricultura dos EUA.

As crianças dos países em desenvolvimento costumam sucumbir a infecções respiratórias ou diarréicas que não são mais fatais em países ricos.

Muitas delas morrem também em virtude do sarampo e de outras doenças que podem ser evitadas por meio de campanhas de vacinação.

A ingestão de água suja e as condições precárias de saneamento provocam ainda um grande número de doenças e de mortes, especialmente entre as crianças subnutridas.

No entanto, medidas simples e factíveis, como o aleitamento materno, as vacinas e a colocação de redes contra mosquitos nas camas podem reduzir dramaticamente o número de mortes entre as crianças, afirmou o Unicef.

O órgão elogiou o Timor Leste e o Nepal, bem como o Haiti e a Etiópia, por adotarem estratégias responsáveis por aumentarem a expectativa de vida das crianças, apesar de continuarem sendo países extremamente pobres.

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