Ela é a típica mulher cheia de vida que muitos jamais ousariam dizer que tem Aids. Não é raro o senso comum dar ao portador do HIV uma aparência franzina e um tom de pele pálido. E ela está fora de todos esses estereótipos e de mais outros tantos. Com 26 anos, mãe de quatro filhos saudáveis, ela soube que estava com o HIV há seis anos, depois de descobrir que o ex-marido era soropositivo. “A assistente social me perguntou: ‘E agora?’. Eu respondi que tinha um filho para criar e que ia tocar em frente.”
Ela prefere não comentar com muitas pessoas que tem Aids. Um pouco para se preservar da discriminação, mas também por ter feito uma escolha: a de não pensar na doença com frequência. “Para mim, parece que ela não existe. Vivo normal, faço coisas normais. Sei que o HIV não vai me matar. Perto de muitas coisas que eu já vivi e sofri, isso não é nada.”
A jovem já sentiu de perto o preconceito. A irmã não conversa mais com ela, não a deixa chegar perto dos sobrinhos e jamais aceitou que uma pessoa da família pudesse estar com Aids. “Se eu encostar nela, ela vai achar que pegou.” Mas nem isso foi capaz de abater a personalidade inquieta da mulher lutadora, que decidiu não chorar pelos cantos e preferiu viver. Há três meses ela tem um namorado e nunca dispensou o preservativo. No auge da juventude, ela segue feliz e consciente.
A Notícia – SC |
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01/DEZEMBRO/09 |







