A doença inflamatória pélvica (DIP) é mais comum nas pacientes com HIV?

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A doença inflamatória pélvica (DIP) é mais comum nas pacientes com HIV?


 

A doença inflamatória pélvica (DIP) é a principal causa de morbidade infecciosa do trato genital feminino. Além das complicações clássicas como dor pélvica crônica, prenhez ectópíca e infertilidade, peritonite, formação de abscesso pélvico, em caso de comprometimento do sistema imunológico a patologia pode levar à sepse bacteriana generalizada e morte.

 

A DIP foi incluída pelo CDC, em 1993, como pertencente a Categoria B, na classificação clínica da AIDS, sendo condição sintomática que pode sofrer influência da infecção pelo HIV.

 

O quadro clínico habitual é constituído por desconforto abdominal, mobilização do colo e palpação dos anexos dolorosa; material purulento exteriorizando-se pelo canal cervical ou através de material obtido na punção de fundo-de-saco vaginal, e algumas vezes evidências de abscesso pélvico em exame clínico ou detectado através de exame ultra-sonográfico. A dor pélvica nem sempre é significativa nos casos de DIP em mulheres HIV-positivas. A dor é causada principalmente pela inflamação decorrente da liberação de substâncias envolvidas na resposta imunológica, mais do que pela lesão direta das estruturas anatômicas. Ora, em tais pacientes a resposta inflamatória encontra-se comprometida, e portanto a dor é menos significativa como característica clínica.

 

A DIP costuma ser mais freqüente e mais severa em mulheres HIV-positivas, provavelmente pela alteração determinada no curso natural da doença sobre influência da infecção pelo HIV. Estes fatos têm sido demonstrados em estudos em Nova lorque e São Francisco, onde foi observado que a incidência de soropositividade para o HIV era maior em mulheres internadas com DIP (l3,6% e 6,7% respectivamente) quando relacionados com outros grupos de mulheres da mesma população. Além de mais comum, a severidade era também maior, com maior freqüência de formação de abscessos, maior número de intervenções cirúrgicas e pior evolução clínica, com persistência de quadro febril.

 

Estudo de Kamenga e cols. (l995) detectaram a presença de positividade do HIV em 26,7% das mulheres internadas com DIP na Costa do Marfim. As mulheres HIV-positivas apresentavam quadro clínico mais severo, 3,5 vezes mais internações e 6,5 vezes maior necessidade de cirurgia. Indicação cirúrgica por abscesso pélvico foi duas vezes maior em mulheres HIV-positivas.

 

Por ser mais comum e severa em mulheres HIV-positivas a terapia para DIP deve ser mais agressiva com hospitalização mais freqüente, principalmente se houver imunossupressão. Até o momento a terapêutica da DIP em HIV-positivas não difere do empregado em mulheres HIV-negativas, porque parece não existir diferença significativa nos organismos.

Prevenção Pós Exposição 

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