A surpreendente cura da infecção pelo HIV
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AO TRATAR um paciente de 40 anos através de um transplante de medula óssea de doador, doente de leucemia mieloide aguda e também portador de HIV (o agente causador da AIDS), pesquisadores alemães observaram não só a remissão da grave alteração sanguínea mas igualmente um resultado “fortemente sugestivo” da cura da infeção pelo HIV.
A revista “Blood” deste mês (2011;117:2791-2799) publica a pesquisa “Evidence for the cure of HIV infection by CCR5 Delta 32/ Delta 32 stem cell transplantation”, da professora Kristina Allers, da Charité-Universitätsmedizin Berlin.
O mesmo grupo de pesquisadores da Alemanha publicou há dois anos no “New England Journal of Medicine” (2009;360: 692-698) uma nota prévia relatando que, 20 meses depois do transplante de medula e da descontinuação da terapia antirretroviral, o paciente permanecia sem rebote viral (do HIV).
No transplante de medula através de doador, ao mesmo tempo em que o paciente fica sem produzir leucócitos por sua própria medula, ele passa a gerar os glóbulos brancos e os demais elementos do sangue a partir do material doado.
No tratamento da leucemia desse paciente, as células transplantadas e as seguintes que foram geradas não tinham receptores específicos para HIV. Dessa forma, o paciente deixou de produzir glóbulos brancos com o receptor para o vírus, o que parece ser a causa da cura da infecção.
Para o HIV infectar o organismo, ele precisa encontrar no sangue humano os receptores específicos de glóbulos brancos para esse vírus, como uma chave para uma fechadura. Mas não se conhece, até o momento, teste que identifique no sangue esses receptores.
Essa seria a explicação para o encontro de raras pessoas que não têm a infecção apesar do contato íntimo com portadores de HIV. julio@uol.com.br |
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