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14/11/2007 – 18h30
“Absurdo” e “medicação não é uma panacéia (para cura)”. Estas foram alguma das definições usadas por ativistas em referência à pesquisa da MAC AIDS Fund, um braço filantrópico da Mac Cosmetics (). O estudo, realizado com cerca de 4500 pessoas de nove países, revelou, por exemplo, que 40% das pessoas não considera a Aids como uma doença fatal. “Acho que isso é um grande reflexo da falta de informação sobre HIV e Aids”, disse Silvinha Almeida, ativista do Grupo de Incentivo à Vida e do Movimento Cidadãs Posithivas.
Segundo o estudo, a maioria dos entrevistados acredita que a Aids é sempre uma doença fatal, mas muitos acreditam erroneamente que existe uma cura disponível para a infecção pelo HIV. Por exemplo, 59% dos indianos acreditam que há cura para a doença.
“Tomar a medicação exige uma série de precauções e as pessoas relaxam nessa questão, por exemplo. Para o senso comum, não tem problema contrair HIV. Entre homossexuais acontece a mesma coisa, acham que por causa do remédio não é necessário prevenção. Medicação não é uma panacéia (para a cura). Existe um impacto muito grande da lipodistrofia, por exemplo”, comentou o presidente do Fórum de ONG/Aids do Rio de Janeiro, Roberto Pereira.
Os resultados da pesquisa também destacam o preconceito, o medo e o estigma que cercam a Aids. Acima de tudo, quase metade dos entrevistados disse que se sentia incomodado em caminhar perto de uma pessoa infectada pelo HIV, 52% respondeu não querer viver na mesma casa com um soropositivo e 79% afirmou não querer se relacionar afetivamente com um portador do vírus.
“É um absurdo. Uma doença tratável não significa curável. Falta um pouco mais de compreensão das pessoas que não lêem sobre o assunto e as campanhas também não são claras. E a sociedade não acolhe os soropositivos”, disse Alessandra Nilo, da Gestos de Pernambuco.
Outro dado revelado pelo estudo é que a questão de gênero e a dificuldade em discutir práticas de sexo seguro são as causas “chave” da pandemia. Por exemplo, 73% dos entrevistados acredita que a proliferação do HIV é estimulada, em parte, por mulheres que não se sentem à vontade em discutir práticas de sexo seguro com seus parceiros.
“As mulheres são estigmatizadas e sofrem mais violência, por exemplo, dentro até de uma relação estável. Ambos (homem e mulher) não se previnem. Mas a pergunta é, será que porque a Aids é tratável, as pessoas não se previnem”, questionou a ativista.
Já Silvinha Almeida, acredita que a falta de informação deixa pessoas mais “protegidas”. “As pessoas, com ignorância sobre o saber de sua própria sorologia, sentem-se mais seguras e o não saber diminui a responsabilidade de prevenção”, disse.
“Outro foco é o da vivência de quem é soropositivo, as pessoas desconhecem o quanto é complicado viver com HIV. Têm falsa idéia que está tudo bem. As únicas que entendem isso são as pessoas que passam por isso ou conhecem alguém muito próximo. Há pouca mídia e divulgação de como vivem as pessoas com HIV. As campanhas dizem use camisinha. Ok, mas e aí? Em que condição?”, acrescentou Silvinha.
Rodrigo Vasconcellos





