Pílulas, confetes e lantejoulas
DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações. Não apagamos a história porque alguém, em algum lugar, algum dia, poderá precisar saber de algo — e existe, sim, a...
Tópicos Tratados Nesta Página
Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações. Não apagamos a história porque alguém, em algum lugar, algum dia, poderá precisar saber de algo — e existe, sim, a possibilidade de este ser o único lugar onde este conteúdo ainda exista.
Este site é mantido de forma totalmente independente por Cláudio Souza, diagnosticado com HIV/AIDS em 1994 e enfrentando, mais recentemente, os diagnósticos de Insuficiência Pancreática Exógena e Miastenia Gravis.
Embora 99% dos medicamentos necessários sejam obtidos via farmácia de alto custo do SUS em Santos, tratamentos essenciais como a colesteramina (Questran) possuem um custo extremamente elevado e sem subsídio.
Se você pode e quer ajudar a manter esta história no ar, faça um PIX de qualquer valor:
Diário de Pernambuco – PE | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
Opinião |
| 16/FEVEREIRO/08 |
Lina Rosa
Publicitária Super terça. Uma semana antes das prévias eleitorais americanas (não menos carnavalescas que as nossas prévias de Momo), os jornais pernambucanos publicaram o movimento da Arquidiocese de Olinda e do Recife para impedir a distribuição da PÍLULA do dia seguinte pelo SUS. Susto. Na semana pré, que deveria ser de prevenção, não de pré-história, Dom José dispara contra a PÍLULA emergencial, num discurso tão perigoso quanto transar sem CAMISINHA. Aliás, CAMISINHA também é proibido. Segundo a Igreja Católica, o ato sexual não pode impedir a concepção. Deve ser por isso, não é Dom José?, que o catolicismo tenta, sem muito sucesso, reprimir o homossexualismo. Eis um ato sexual que impede a concepção, com ou sem CAMISINHA. E sem jamais precisar da tal PÍLULA do dia seguinte. Super terça. Taí uma boa fantasia para o bloco Enquanto Isso na Sala da Justiça. Quem seriam os heróis? A PÍLULA do dia seguinte, a CAMISINHA, os homossexuais e o Barack Obama teriam os meus votos. Por eliminatória, temos uma ótima fantasia de vilão para 2009. Mas, de volta ao carnaval de 2008, quem estendeu as tradicionais ladeiras de Olinda às subidas dos morros do Recife ganhou metros quadrados de um carnaval bem diversificado. No Alto, não da Sé, mas do Zé do Pinho, a Orquestra de Frevo da Bomba do Hemetério, o Maestro Forró e todos os seus flertes com o jazz, o rock e o samba trouxeram as tubas pra frente e levantaram a comunidade pra bem acima da altitude do morro. Em Nova Descoberta, o jogo de luzes do palco se confundiu com as luzes vermelhas e brancas das viaturas que invadiram o espaço da platéia sem nenhum motivo aparente. A rapaziada estava de mãos ao alto por uma razão bem distante da violência. O show do Paralamas do Sucesso fez a galera erguer os braços e aplaudir por quase uma hora e meia. Som de altíssima qualidade, público de ótima resposta e polícia, como cantou Herbert Viana, "polícia para quem precisa de polícia". No Pátio de São Pedro, Elza Soares mostrou um par de pernas de deixar qualquer craque defutebol no chinelo. Garrincha que o diga. Pernas pra dignidade, pros direitos humanos, pra música crítica, inteligente, afinada e afiada. Linda, Elza. Se a carne mais barata do mercado é a carne negra, Elza Soares deu cada pedaço do seu corpo pra banquetear a platéia, que comeu e bebeu todas as gotas do sangue blue da sua diva. O fim do show de Elza coincidiu com o início do desfile da Mangueira. Chuva ou choro de Cartola? Seja o que for, foi justo. Se toda aquela água benta contribuiu para secar o verde e murchar o rosa, também serviu para lavar a alma dos amantes do verdadeiro centenário. Cronologias à parte, o ferver do frevo não poderia mesmo se manifestar em um ambiente tão frio. E não estou falando da nuvenzinha Adams que pairou bem na hora da Mangueira entrar e acompanhou, como quem pagou ingresso em camarote especial, todo o desfile. Não. Falo da frieza do samba-enredo, dos carros alegóricos, das fantasias. Tudo era frio, distante e superficial. Até os ilustres pernambucanos que atravessaram a Sapucaí. Agora, quem entrou atravessado foi os 101 anos do frevo, à frente do único e derradeiro carro alegórico de Cartola. O preto da cor de Elza e de coração verde e rosa. O preto que compôs cerca de 500 canções ao longo de seus 72 anos de vida. O preto que não teve direito a um samba-enredo em seus 100 anos de imortalidade. Por falar em direito, mais estranho do que isso só o Dom José querendo tirar o direito do povo de receber PÍLULA de graça. E o povo vai tomar o quê, Dom José? Confetes três vezes ao dia? Lantejoulas de oito em oito horas? Que país é esse? A resposta quem deu, em coro, foi a turma de Nova Descoberta durante o show de Herbert Viana: "É a porra do Brasil!"
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo que demore um pouco.
E se quiser, mande um Pix de R$ 0,25 pelos 25 anos de trabalho:
Chave Pix: solidariedade@soropositivo.org
Você também pode me escrever para: claudio@soropositivo.org
Fale com o Blog Soropositivo
Tem uma pergunta, sugestão ou quer falar sobre janela imunológica, sexo oral, PEP, PrEP ou outro assunto? Use o formulário abaixo.
Erro: Formulário de contato não encontrado.
Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
No Comment! Be the first one.