Prevenção para baladeiros

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JORNAL DE BRASILIA – DF | CIDADES

AIDS | CAMISINHA | DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS | CONTRACEPTIVOS | HPV

04/07/2010

Boate faz parceria com ONG para a entrega de PRESERVATIVOS aos clientes

Da Redação

Uma balada é, sem dúvida, um local onde muitas pessoas escolhem para dançar, conhecer gente nova e paquerar. Mas, além de lazer, nesse ambiente as pessoas também estão sujeitas a entrarem em contato com álcool, drogas e de repente, se relacionar sexualmente com pessoas que encontraram na festa. Álém de diversão, esse encontro pode proporcionar situações desagradáveis. A transmissão de uma Doença Sexualmente Transmissível (DST) é uma delas. A prevenção nesses ambientes é foco da Organização Não Governamental (ONG) Estruturação, que tem como missão tentar minimizar os números de contaminações e orientar jovens sobre a importância do uso de PRESERVATIVOS.

Em uma boate, sob luzes vibrantes, pessoas dançam de formas ousadas, de maneira tão homogênea que não dá para saber onde começa um corpo e termina outro. E a pegação rola solta. Mas não dá para deixar de lado a prevenção. Preocupado com as DSTS, o produtor da Let”s Club, Thia-go Malva, evento que acontece todas as sextas-feiras na boate Blue Space, formou uma parceria com a ONG Estruturação, que se tornou responsável por distribuir PRESERVATIVOS com frequência nos horários de maior movimentação da balada, cujo público assíduo é composto, na sua maioria, por homossexuais.

A medida é bem vista pelos frequentadores do local. “Na balada, as pessoas estão propícias a encontrar parceiros sexuais. Acredito que distribuir PRESERVATIVOS em locais como esse é uma excelente estratégia de prevenção”, opina o DJ Fernando Cunha, de 29 anos.

O produtor Manuel Santoro, de 25 anos, acha que a iniciativa deveria ser ampliada. “PRESERVATIVOS são extremamente importantes, ainda mais em baladas. Nas casas de festas da Europa eles disponibilizam pre-

servativos no banheiro para quem quiser. E é muito importante. Sexo e balada andam juntos, não podemos deixar que as DSTS os acompanhem nessa caminhada”.

APROVAÇÃO

A medida também é considerada vantajosa pelos pais dos jovens que curtem sair para dançar nas noites dos finais de semana. “Sinto-me muito mais segura em saber que, mesmo se meu filho esquecer a CAMISINHA, ele vai poder pegar no local em que

for”, diz Cida Bueno, de 44 anos, que trabalha em uma empresa de turismo e costuma acompanhar o filho Túlio Bueno, nas baladas. “Ele saiu do armário e eu tenho que sair também. Mas temos que nos prevenir, sempre. Principalmente os jovens alimentam o pensamento de que nunca vai acontecer com eles, mas acontece. E é sempre bom estar lembrando-os disso”, adverte.

O diretor da ONG Estruturação, Paulo André, conta que há 16 anos a Organização distribui PRESERVATIVOS, gel lubrificante e panfletos em eventos badalados da capital federal. Com isso, ele acredita que já livrou milhares de pessoas de contrair vírus indesejáveis. “Não adianta só distribuir PRESERVATIVOS, também é importante conscientizar, lembrar aos jovens a importância de fazer uso do PRESERVATIVO“, opina. “Além de tornar o acesso fácil, conscientizamos com panfletos. Acho que falar da importância do produto e fornecer o mesmo é fundamental para o combate à transmissão de DSTS“.

Mesmo com as campanhas de prevenção e conscientização sobre os riscos das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTS), por parte do governo local e também do governo federal, no Distrito Federal, o número de novas contaminações não está diminuindo.

Segundo a gerente da Gerência de DSTS do Distrito Federal, Diva Castelo Branco, o DF apresenta cerca de 300 casos de novas contaminações todos os anos. “Mesmo com tantas campanhas, não estamos conseguindo diminuir esse número”, admite a gerente. Para ela, as campanhas são eficientes e indicam o comportamento das pessoas como o principal empecilho no combate à proliferação das DSTS. “As pessoas precisam usar mais PRESERVATIVOS. Os de mais idade não usam porque não estão habituados, mas precisam adquirir esse hábito”, adverte. “É uma questão de comportamento, e mudar comportamentos é muito difícil”.

Ainda assim, a gerente informa que os jovens entre 15 e 25 anos conservam o título de campeões em novos casos de contaminação. “Nas primeiras relações sexuais, 90% dos jovens fazem uso dos PRESERVATIVOS. Mas já a partir da terceira relação, começam a abandonar o uso”, informa. “Eles (os jovens) possuem a característica de achar que estão imunes a tudo, acidentes de carros, doenças, nunca acreditam que vai acontecer com eles. E por isso são as maiores vítimas das próprias imprudências”.

A gerente também aponta alguns ideais sociais como causas para que os jovens acabem deixando de lado os PRESERVATIVOS. “Ainda existe a crença de que pessoas bem aparentadas não têm doença. E isso não é verdade”, alerta. “Também tem a parte do idealismo romântico. Principalmente as meninas acreditam no amor do jovem, acham que o parceiro é fiel e que não fazer uso do PRESERVATIVO é sinônimo de uma relação estável e madura. Mas os jovens precisam se prevenir, sempre”.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal disponibiliza PRESERVATIVOS em postos de saúdes, distribui em escolas e locais de trabalho, e todo cidadão pode obter gratuitamente.

SAIBA+

As DST são doenças transmitidas por meio da relação sexual, seja de homem com mulher, homem com homem ou mulher com mulher. Em geral, a pessoa infectada transmite a DST para seus parceiros, principalmente quando acontece penetração.

Ao contrário do que muita gente pensa, as DST são doenças graves que podem causar disfunções sexuais, esterilidade, aborto, nascimento de bebês prematuros com problemas de saúde, deficiência física ou mental, alguns tipos de câncer e até a morte. Uma pessoa com DST também tem mais chance de pegar outras DSTS, inclusive a AIDS.

Quem pode pegar DST?

■ Quem tem relações sexuais sem CAMISINHA;

■ Quem tem parceiro que mantém relações sexuais com outras pessoas sem CAMISINHA;

■ Pessoas que usam drogas injetáveis e compartilham seringas;

■ Pessoas que têm parceiros que usem drogas injetáveis, compartilhando seringas;

■ Pessoas que recebem transfusão de sangue não testado;

■ Qualquer pessoa – casada, solteira, jovem, adulta, rica ou pobre – pode pegar DST.

Quais os principais sinais?

■ Feridas (úlceras): aparecem nos órgão genitais ou em qualquer parte do corpo. Podem doer ou não.

■ Corrimento: aparecem no homem e na mulher no canal da uretra, vagina ou ânus. Podem ser esbranquiçados, esverdeados ou amarelados como pus. ■ Alguns têm cheiro forte e ruim. Tem gente que sente dor ao urinar ou durante a relação sexual. Nas mulheres, quando o corrimento é pouco, só é visto em exames ginecológicos.

■ Verrugas: são como caroços, podem parecer uma couve-flor quando a doença está em estágio avançado. Em geral, não dói, mas pode ocorrer irritação ou coceiras.

Quais os principais sintomas?

Ardência ou coceira: mais sentido ao urinar ou nas relações sexuais. Há pessoas que sentem as duas coisas, outras somente uma e muitas pessoas não sentem nada e, sem saber, transmitem DST para seus parceiros. Dor e mal-estar: embaixo do umbigo, na parte baixa da barriga, ao urinar, ao evacuar ou nas relações sexuais.

Como tratar?

■ Faça apenas o tratamento indicado por um profissional de saúde, não aceite indicações de vizinhos, parentes, funcionários de farmácias etc.

■ Siga a receita e tome os remédios na quantidade certa e nas horas certas.

■ Continue o tratamento até o fim, mesmo que não haja mais sinal ou sintoma da doença

■ Todos os parceiros de quem está com DST devem ser conscientizados e fazer o tratamento, senão o problema continua.

■ Deve-se evitar relações sexuais durante o tratamento. Em último caso, sempre use CAMISINHA.

■ Peça também para fazer o teste da AIDS. É sempre melhor se prevenir.

As DSTS mais comuns são:

HPV, GONORRÉIA (Pingadeira ou Esquentamento) CANCRO MOLE (Cavalo), SÍFILIS (CANCRO DURO), Herpes, Hepatite (tipo A e B), i CANDIDÍASE, LINFOGRANULOMA VENÉREO (Mula), Uretrite não i Gonocócias (Chlamydia), CONDILOMA ACUMINADO, Ê

Tricomoníase e a AIDS. Mas existem ainda muitas outras.

AIDS

A AIDS é a sigla em inglês da síndrome da imunodeficiên-cia adquirida. É causada pelo HIV, vírus que ataca as células de defesa do nosso corpo. Com o sistema imunológico comprometido, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, um simples resfriado ou infecções mais graves, como tuberculose e câncer. O próprio tratamento dessas doenças, chamadas oportunistas, fica prejudicado.

Onde fazer o teste

Os testes para detectar o vírus HIV são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) sigilosa e gratuitamente. Os laboratórios da rede particular também realizam. Nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), que são unidades da rede pública, os exames podem ser feitos inclusive de forma anônima.

Sobre AIDS

Qual o tempo de sobrevida de um indivíduo portador do HIV?

■ Até o começo da década de 90, a AIDS era considerada uma doença que levava à morte em um prazo relativamente curto.

Porém, com o surgimento do coquetel as pessoas infectadas passaram a viver mais. Esse coquetel é capaz de manter a carga viral do sangue baixa, o que diminui os danos causados pelo HIV no organismo e aumenta o tempo de vida da pessoa infectada.

O tempo de sobrevida (ou seja, os anos de vida pós-infecção) é indefinido e varia de indivíduo para

indivíduo. Por exemplo, algumas pessoas começaram a usar o coquetel em meados dos anos 90 e ainda hoje gozam de boa saúde. Outras apresentam complicações mais cedo e têm reações adversas aos medicamentos. Há, ainda, casos de pessoas que, mesmo com os remédios, têm infecções oportunistas (infecções que se instalam, aproveitando-se de um momento de fragilidade do sistema de defesa do corpo, o sistema imunológico).

Quanto tempo o HIV sobrevive em ambiente externo?

■ O vírus da AIDS é bastante sensível ao meio externo. Estima-se que ele possa viver em torno de uma hora fora do organismo humano. Graças a uma variedade de agentes físicos e químicos (água sanitária, glutar-aldeído, álcool, água oxigenada) pode tornar-se inativo rapidamente.

HPV

É a sigla em inglês para papiloma vírus humano. Os HPV são vírus da família Papilomaviridae capazes de provocar lesões de pele ou mucosa. Na maior parte dos casos, as lesões têm crescimento limitado e habitualmente regridem espontaneamente.

Qual a relação entre os HPV e o câncer do colo do útero?

Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV. Eles são classificados em de baixo risco de câncer e de alto risco de câncer. Somente os de alto risco estão relacionados a tumores malignos. Estudos no mundo comprovam que 50% a 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas. Porém, a maioria das infecções é transitória, sendo

combatida espontaneamente pelo sistema imune, principalmente entre as mulheres mais jovens. Qualquer pessoa infectada com HPV desenvolve anticorpos (que poderão ser detectados no organismo), mas nem sempre estes são suficientemente competentes para eliminar os vírus.

A transmissão é por contato direto com a pele infectada. Os HPV genitais são transmitidos por meio das relações sexuais, podendo causar lesões na vagina, colo do útero, pênis e ânus.

Como as pessoas podem se prevenir dos HPV?

O uso de PRESERVATIVO diminui a possibilidade de transmissão na relação sexual (apesar de não evitá-la totalmente). Por isso, sua utilização é recomendada em qualquer tipo de relação sexual, mesmo naquela entre casais estáveis.


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