Sexualidade e adolescência poderia ser definido como um coquetel de imposições morais e hormonais dos quais os adolescentes nao se apercebem, mas acabam sendo joquetes de si mesmos, agindo, com raras excessões, de uma forma que poderá lhes arruinar a vida mesmo antes de ela,a vida, ter começado.

Recentemente, uma das edições do programa Profissão Repórter apontou para o fato de que mais de 50% dos estudantes do ensino público e particular brasileiro já não são mais virgens. Porém, o que mais chama atenção é o fato de que a diferença na taxa de virgindade é bem grande em relação a esses dois diferentes tipos de estudos. Nas escolas particulares, o índice é menor. Assim, os jovens estudantes da rede pública de ensino são os que, teoricamente, perdem a virgindade mais cedo.
Afinal, por que essa diferença?
A verdade é que o Brasil ainda é um dos países menos desenvolvidos quando o assunto é educação básica de qualidade. Paralelamente a esse fato, a religião e os motivos que fazem com que os jovens guardem esse momento especial são conceitos que se dispersam com cada vez mais frequência no país.
A educação sexual proporcionada nas escolas de ensino público é muito escassa. Assim, jovens não entendem os riscos negativos da prática: a falta do compromisso, do cuidado e do próprio aguardo pelo momento especial. Assim, é comum que jovens que estudam em colégios de ensino privado tenham maior conhecimento sobre o assunto, até porque ele é passado com maior frequência e com uma linguagem mais adequada.
É claro que os pais também têm um papel primordial no que diz respeito à sexualidade. Não é porque a família não tem condições de colocar o seu filho no ensino particular que ele obrigatoriamente será condicionado a isso.
O melhor a se fazer é, muito além do que é ensinado nas escolas públicas ou particulares, manter o diálogo com os filhos em relação a isso, mostrando as consequências desse ato antes da hora. Esse papo deve ser descontraído, para mostrar ao jovem que ele não está sozinho e pode sempre contar com o apoio dos pais.
Quando a religião entra em jogo.
Afinal, como lidam com a própria sexualidade os adolescentes evangélicos, que, conforme as suas crenças religiosas, só podem ter relações sexuais após o casamento?
Essa certamente não é uma pergunta simples de ser respondida. A escola, seja pública ou privada, é cercada por jovens das mais variadas idades, ideias, conceitos, concepções e crenças. A maioria dos jovens é católica, ao mesmo tempo em que já se aventuraram sexualmente antes da hora. Assim, como é possível definir a mentalidade de que, na teoria, também não deveriam ter relações sexuais antes da união?
Isso ajuda ainda mais a confundir a mente dos jovens evangélicos, que também não devem ter relações sexuais antes da hora. Porém, e os católicos, por que também não podem, mas a maioria já teve? Pois é. Isso certamente confunde a mente dos adolescentes de religião evangélica, que estão no meio de uma encruzilhada.
Ao mesmo tempo em que aprendem sobre isso, têm o contato frequente de adolescentes que já fizeram ou se preparam para a prática sexual. E as perguntas que, então, se sucedem são: dá para segurar? Não dá? Por quê? Como?
Segurar. Segurar é uma palavra quase sem significado na adolescência. Jovens de diferentes crenças estão prontos para guiar os jovens evangélicos para o caminho que leva à quebra dessas regras fundamentais. E, junto a isso, a própria vontade do adolescente de praticar o ato sexual é grande: ele está em época de adaptação, de experimentação. Tudo é novo, e essa experiência é uma das mais comentadas na escola. O que fazer?

Muitas vezes realmente se torna difícil segurar, e os motivos são os mais variados: influência, curiosidade e, é claro, a própria vontade. Se for manter um relacionamento na escola, as chances de que isso ocorra são ainda maiores.
E os pais, como reagem diante desta realidade?
Outra edição do Profissão Repórter mostrou diferentes realidades no que diz respeito à sexualidade dos jovens. Os adolescentes de hoje em dia começam a assumir relacionamentos muito novos, entre a faixa dos 14 aos 16 anos. E, os limites são cada vez menores: podem dormir juntos, passam os finais de semana e, até mesmo, a semana juntos. Assim, se tornam cada vez mais íntimos e começam a passar mais cedo por experiências que, antigamente, tardavam.
Assim, os adolescentes de hoje em dia conhecem “os amores de suas vidas” de forma muito rápida: bastam alguns meses de convivência para que a vontade de ficar junto para sempre seja despertada. Assim, muitas vezes comete-se o erro de se entregar para uma pessoa que, na realidade, pode acabar não sendo realmente o amor da sua vida.
E nas escolas, o que podem fazer? Há policiamento?
As escolas podem se pronunciar, mas unicamente ao que está aos seus pés. A maioria das escolas, principalmente as de ensino fundamental e as privadas, não permitem nem mesmo beijos no ambiente escolar, e que dirá algo mais.
O que a escola pode fazer é alertar os jovens sobre os perigos das doenças sexualmente transmissíveis, sobre a importância do uso da camisinha e outras questões de segurança. No entanto, ela não pode guiar a vida sexual de cada um dos jovens.
O comportamento dos alunos, por sua vez, pode ser monitorado até o ponto em que está sob o controle da escola, o que é muito difícil. E, não adianta: os alunos fazem o que bem entenderem escondidos, além de mal darem atenção para as orientações dos adultos, professores e pedagogos.
Por fim, devemos destacar que a sexualidade e a adolescência estão ameaçadas. Muitas crianças estão passado diretamente dessa etapa para a fase adulta, pulando uma parte importantíssima de suas vidas: a da adolescência, a de aproveitar, a de fazer amigos e se divertir.
Na onda de querer conhecer as coisas antes da hora, muitos adolescentes acabam contrariando os seus próprios princípios e exercendo a sexualidade prematuramente, o que faz com que a maioria deles venha a se arrepender no futuro, pois se envolver sexualmente antes do planejado pode trazer um sem número de consequências para as quais eles estariam melhor preparados na vida adulta.







