Funcionários cobram volta de gratificação por insalubridade (22/09/2009)
Na manhã de ontem, os funcionários do hospital Giselda Trigueiro aproveitaram o protesto do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde contra o corte de uma gratificação por insalubridade para reclamar que são frequentemente expostos a doenças.
Segundo a assessoria de comunicação da Sesap, a suspensão do adicional aconteceu depois que um laudo da Comissão Permanente de Avaliação Pericial (Compape) mostrou que os funcionários lotados no setor administrativo recebiam indevidamente o adicional.
A presidente da Compape, Dalva Lúcia Limeira, explicou que o adicional é pago ao servidor que se expõe ao risco. “Neste caso ao agente biológico”, informou. Ela argumentou que as pessoas que sofreram a suspensão trabalham no setor administrativo, farmácia, almoxarifado e Serviço de Arquivo Médico Estatístico (Same).
Iara Lucena, trabalha no setor de admissão há 14 anos, e diz já ter contraído herpes no ombro devido ao contato direto com pacientes. Ela relata que os pacientes tossem, espirram e até vomitam no balcão na recepção, deixando-a vulnerável às doenças. “Já pensou se eu pego tuberculose?”. A recepcionista Maria de Lourdes Ferreira já enfrentou uma situação semelhante. Há dois anos, ela precisou se submeter a um tratamento para lesão pulmonar, segundo ela decorrente de uma doença que adquiriu no Giselda.
Maria Lúcia Alves de Freitas trabalha no Giselda há 25 anos e relata que além dos pacientes encaminhados por outros hospitais, pessoas sem diagnóstico são atendidas no Giselda. Nesses casos, o diagnóstico só fica pronto depois que o paciente é atendido pela equipe de funcionários. “Tudo o que nenhum hospital atende é mandado para o Giselda”, afirma Maria Lúcia. Além disso, os servidores são obrigados a transitar pelos corredores do hospital, onde pacientes com doenças como tuberculose, hepatite ou meningite ocupam macas e cadeiras à espera de um leito.
Tuberculose e HIV
Enquanto os leitos nas enfermarias não são liberados, pacientes com o vírus de tuberculose mais resistente são internados no próprio corredor expondo outros pacientes e funcionários ao contágio do vírus. A funcionária Teresa Cristina de Oliveira, que trabalha no setor de admissão, informa que um paciente com gripe suína confirmada aguardava atendimento no corredor sem uso da máscara cirúrgica na manhã de ontem. Ela relata os riscos decorrentes do trabalho e exibe marcas de unhadas e arranhões pelos braços, resultado de uma luta corporal com uma paciente com AIDS, que ameaçou contaminá-la com o vírus HIV.
A diretora do Hospital Giselda Trigueiro, Milena Martins, explicou que recebeu uma lista com o nome de 90 funcionários que perderam o direito à gratificação – que equivale a 40% do salário -base – por insalubridade na semana passada. Ela discorda da suspensão do benefício e aponta as condições insalubres de trabalho como razão para manter a gratificação. “A maior parte dos funcionários entra em contato direto com os pacientes”, relata.
Para ela, o Giselda tem como particularidade o trabalho insalubre devido à concentração dos casos de doenças infecto-contagiosas. Para amenizar o risco de contágio, ela informa que o hospital fornece os equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras. “A gente tenta adotar medidas de segurança, pois o risco de nosso servidor é maior”.
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