Quase 700 profissionais, das mais diversas atividades, participaram do 8º Dia Nacional de Ação Voluntária e fizeram mais de 40 mil atendimentos
Flávia Duarte
Os moradores de Ceilândia tiveram um domingo diferente. Em um mesmo espaço, a família recebeu atenção médica, aprendeu uma arte, relaxou e as crianças se divertiram. A iniciativa foi da Fundação Bradesco que, em parceira com diversas instituições, promoveu pelo oitavo ano consecutivo o Dia Nacional de Ação Voluntária. Ao todo, quase 700 voluntários, entre alunos, pais, professores, funcionários da Escola de Educação Básica e Profissional Fundação Bradesco da Ceilândia se reuniram para promover um dia especial para aquela comunidade. Além deles, havia médicos, dentistas, cabeleireiros, massagistas, advogados prestando serviços e levando informação aos moradores locais.
Essa mesma ação ocorreu, ontem, nas 40 escolas da Fundação espalhadas por todo Brasil. Na unidade de Ceilândia, só no ano passado foram feitos mais de 40 mil atendimentos. A assistente de direção da escola Kátia Albuquerque lista o número de serviços prestados este ano: atendimento clínico, pediátrico, odontológico, ortopédico e vacinação. Teve ainda oficinas de artesanato, massagem e jogos. Sem falar nos voluntários que participam do projeto para falar de saúde, higiene, alimentação saudável e cuidados com o meio ambiente.
Entre os profissionais que se dispuseram a ajudar estava o massoterapeuta José Ferreira, 52 anos. Há 10 anos ele perdeu completamente a visão, sequela de um problema de saúde. Decidiu deixar o trabalho de enfermeiro e aprendeu uma nova atividade. Há quatro anos trabalha com massagens e sempre que pode participa de projetos como esse. “É uma contribuição que levamos para aumentar a qualidade de vida das pessoas, especialmente para quem não pode pagar por esse tipo de serviço”, diz o profissional que ano passado, com sua equipe, atendeu 180 pessoas.
A motivação da professora Andréia Torquato de participar do Dia da Ação Voluntária vem de sua infância. Ela coordenou oficina sobre Libras (Língua Brasileira de Sinais) na Fundação Bradesco, escola em que seu filho estuda. Desde criança, Andréia convivia na escola com deficientes auditivos. Por isso aprendeu ainda pequena a se comunicar com eles. Nunca mais parou de dar aulas, palestras, interpretar a língua dos sinais em eventos públicos. Ontem, aproveitou para ensinar um pouco do que sabe. “Na escola tem crianças com pais surdos. Assim, a ideia é ajudar os meninos, professores e funcionários das escolas a se comunciar com eles”, conta. “Sempre que posso, ajudo esses pais deficientes nas reuniões da escola”, acrescenta.
A vontade de fazer o bem foi também o que levou a funcionária pública Silvana Culetto e sua filha Dandara Aiache, 19 anos, a participar pelo segundo ano do projeto. Em parceria com o Movimento Cerrado Vivo, elas falaram de cuidados com o meio ambiente, descarte de lixo, preservação da natureza. As duas desenvolvem um trabalho chamado de Encantadora de Pássaros, cuja proposta é salvar aves feridos e devolvê-los à natureza. As crianças se encaram com Juninho, um pardal que não tem uma das patas e que foi encontrado quase morto em um shopping da cidade. A estudante de enfermagem e mãe cuidaram do bichinho, que hoje até tenta voar. Silvana começou o projeto10 anos atrás. Ensinou à filha. Agora, recebem telefonemas de pessoas que encontram pássaros feridos e precisam de socorro.
As duas já adotaram aves que não têm condições de se readaptar à natureza. Foi o caso do sabiá cego, o beija-flor que não pode voar, da rolinha que foi mordida por um cão, da coruja que quase morreu envenenada e de dois periquitos abandonados na rua. Na pequena quitinete em que mãe e filha moram no Plano Piloto, sempre tem espaço para mais um pássaro ferido.
Atividades
Exames preventivos de saúde: medição de pressão, glicemia etc.
Orientação sobre saúde bucal
Palestras sobre amamentação, dengue, gripe A, prevenção DST/AIDS
Vacinas
Atendimentos médicos
Recadastramento no Bolsa Família
Cadastro de estágio
Emissão de documentos como RG e carteira profissional
Oficinas de artesanato
Cortes de cabelo
Teatro e gincanas
Eu estive lá
Nomes: As gêmeas Deise Maria e Maria Daiane Rodrigues
O que fizeram: Brincaram na piscina de bolinhas e na tirolesa, montada pelo Corpo de Bombeiros local
O que acharam: “Fiquei um pouco nervosa, mas é muito legal”, diz Deise, com o aval da irmã
Nome: Luciane Pinheiro, servidora pública
O que fez: Oficina de biscuit
O que achou: “Trouxe as crianças porque elas podem se divertir com a massas. Além disso, acho divertido. Quem sabe até dá para aprender a fazer peças em biscuit e ganhar dinheiro?”
Nome: Claudete Paulino, dona de casa
O que fez: Oficina de bordado
O que achou: “Sempre achei os bordados bonitos e interessantes. Quero aprender para fazer coisas para a minha casa e futuramente até vender algumas”
Nomes: Marcos Vinícius Soares e Mariane Pedrosa, estudantes
O que fizeram:
Assistiram à palestra de prevenção de DST/AIDS
O que acharam:
“É uma oportunidade de conversar e tirar dúvidas sobre o assunto. Em casa fica mais difícil, comenta Mariane
CORREIO BRAZILIENSE |
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08/MARÇO/2010 |
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