Perfomance pode custar o mandato do deputado Carlos Giannazi
Publicado em 19 de junho de 2009 (há 17 anos, 4 meses e 6 dias)Atualizado em 31 de julho de 2026 (há 2 meses e 24 dias) DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações....
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| 29/NOVEMBRO/07 |
Idealizador da frente GLBTT de São Paulo recebe visita, nesta quinta-feira, de transformista que se apresentou nas dependências da assembléia legislativa do estado; perfomance pode custar o mandato do deputado Carlos Giannazi
28/11/2007 – 13h20 Carlos Giannazi, idealizador da Frente Parlamentar GLBTT, em seu gabinete na Assembléia Legislativa de São Paulo Um deputado estadual paulista pode perder o mandato por causa de uma apresentação realizada por um transformista nas dependências da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. A performance, ocorrida na noite de 24 de outubro, foi para comemorar o lançamento da “Frente Parlamentar em Defesa da Comunidade GLBTT” (leia). Para Carlos Giannazi (PSOL), o idealizador da Frente, tratou-se de uma simples “apresentação artística”. Na opinião de Waldir Agnello (PTB), que entrou com uma representação contra Giannazi no Conselho de Ética da Casa, a performance foi “indecorosa” (saiba mais). Na tarde de quinta-feira (29/11), Henrique Rocha, o transformista que suscitou toda a polêmica, visitará novamente a Assembléia. Dessa vez, porém, ele vai trajar terno. O objetivo da iniciativa é apoiar o parlamentar do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), que está sendo acusado de quebra de decoro. “Entendemos que a falta de ‘decoro’ não está na roupa, na dança ou no corpo e sim numa cultura política voltada para atender o poder econômico, o loteamento de cargos, o clientelismo e fisiologismo político, a improbidade administrativa e tantas outras mazelas já tão conhecidas e, de modo pertinente, criticadas pela população”, esclarece nota oficial divulgada pelo gabinete do Deputado Estadual Carlos Giannazi. Abaixo, o texto na íntegra. O mandato do professor e deputado estadual Carlos Giannazi vem a público fazer os seguintes esclarecimentos sobre as recentes notícias veiculadas pela grande imprensa, versando sobre uma possível punição a sua atitude de ter lançado, na Assembléia Legislativa, uma Frente Parlamentar em Defesa (dos Direitos) da Comunidade GLBTT, aprovada pela presidência da ALESP e constituída por 15 deputados. 1)Os mandatos, tanto o de vereador (por duas legislaturas) como o de deputado estadual em São Paulo, sempre se pautaram, além da luta histórica pela educação pública e de qualidade, também pelo combate a qualquer forma de discriminação, preconceito e intolerância contra os negros, vítimas do racismo; contra as mulheres, violentadas das mais diversas e perversas formas; e contra os homossexuais, invariavelmente julgados e condenados pela homofobia. Por meio de várias ações e atitudes representadas por Projetos de Lei, Representações na Justiça, denúncias pela imprensa, seminários, atos de protesto, debates etc, Giannazi sempre fez frente a essas discriminações e continuamente se posicionará pelo respeito à diversidade racial, de gênero, religiosa e sexual. 2)O ato ocorrido na ALESP no dia 24 de outubro, data do lançamento da Frente Parlamentar mencionada, teve (e tem) como objetivo central denunciar a perseguição e a violência a que estão expostas as pessoas de orientação sexual não heterossexual. Mais de 100 pessoas anualmente são mortas e trucidadas violentamente no Brasil apenas por que são homossexuais. Nosso país é um dos mais homofóbicos do mundo e está sendo denunciado internacionalmente por isso. 3)No dia do evento — aberto ao publico e pautado na imprensa —, houve a presença de vários segmentos da comunidade GLBTT, inclusive a de pastores homossexuais da Igreja Evangélica Metropolitana, que apoiaram e mostraram-se dispostos a participar da Frente. Houve também a apresentação artística de uma dança solo, protagonizada por um transformista homossexual, que utilizou a sua arte e sua alegoria corporal — dentro do contexto artístico — para celebrar a iniciativa da Frente, afirmando assim seu livre direito de opção sexual. 4)A Frente Parlamentar manifestou apoio a um Projeto de Lei, em trâmite no Senado Federal, que criminaliza em todo o território nacional a homofobia. Além disso, criticou as tentativas da Prefeitura de São Paulo e da Policia Civil em fechar o Autorama Gay (ponto de encontro histórico e internacionalmente conhecido da comunidade GLBTT) e reprimir os seus freqüentadores. Criticou também o PL 1068/07, do deputado Waldir Agnello, primeiro vice-presidente da ALESP, que revoga a lei estadual 10948/01, legislação vigente que prevê punição administrativa a estabelecimentos no Estado de São Paulo que praticarem a homofobia. Sem deixar de mencionar as criticas ao prefeito Gilberto Kassab, que vetou o projeto de lei substitutivo 440/01, também assinado por Giannazi quando ainda era vereador na capital, que pune estabelecimentos por crimes de homofobicos na capital do estado. 5)Diante desses fatos repudiamos qualquer tentativa de desqualificação e de folclorizaçao de uma legítima luta contra o preconceito, a intolerância e a discriminação. Entendemos que a falta de "decoro" não está na roupa, na dança ou no corpo e sim numa cultura política voltada para atender o poder econômico, o loteamento de cargos, o clientelismo e fisiologismo político, a improbidade administrativa e tantas outras mazelas já tão conhecidas e, de modo pertinente, criticadas pela população. 6)O professor e deputado Giannazi acredita que a luta em defesa da educação pública e da valorização do magistério, não obstante — pelo contrário —, pode dar uma grande contribuição para combatermos os preconceitos e assim avançarmos rumo a construção de uma nova sociedade, mais plural, tolerante com seus grupos minoritários, sabedora de seus direitos e deveres, solidária, civilizada diante das diferenças humanas e inconformada com a violência, com a discrepante acessibilidade à justiça social, com a censura e com a vergonhosa corrupção em todos os níveis. Redação da Agência de Notícia da Aids
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