Portadores de HIV são discriminados na Holanda
Incompreensão, invasão de privacidade e por vezes até medidas humilhantes. O desconhecimento sobre HIV e AIDSainda é persistente na Holanda. Principalmente no mercado...
Incompreensão, invasão de privacidade e por vezes até medidas humilhantes. O desconhecimento sobre HIV e AIDSainda é persistente na Holanda. Principalmente no mercado de trabalho, as consequências disto às vezes são agudas. Funcionários portadores de HIV que notificam o empregador têm grandes chances de receber reações negativas.
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Roy, que trabalha na área de saúde, descobriu há dois anos que é portador do vírus HIV. Ele contou a sua chefe, que não teve uma resposta empática: “Ela achou que eu podia continuar fazendo todo tipo de serviço. Achou necessário avisar a direção e o departamento pessoal e também pediu que eu usasse luvas sempre que estivesse atendendo uma pessoa.”
A chefe de Roy o viu como fonte de contaminação. Um risco para seus colegas e para os pacientes. Mas o HIV não é transmissível no contato social normal.
Suspeita
A história de Roy não é única. Muitos portadores de HIV comentam que chefes e empregadores não os querem. Uma pesquisa do AIDSFonds demonstrou que quase metade das empresas holandesas prefere não contratar portadores de HIV para cargos fixos. Além disso, oito em cada dez gerentes acham que o candidato a um emprego deve avisar que tem HIV.
Isto não é lei. Um candidato a emprego não é obrigado a avisar sobre doenças, exceto caso o tornem inadequado para a função.
A suspeita é grande. Empresas não querem funcionários com HIV porque acreditam que eles ficariam doentes com mais frequência. Empregadores também querem reduzir ao máximo a chance de infecção de outros funcionários.
Nos dois pontos estão errados, diz o AIDSFonds, o que mostra que ainda há enorme falta de informação sobre a doença, comenta Ton Coenen, diretor da organização.
“Sabemos por pesquisas que o risco de mais faltas provocadas por doença não acontece. Portadores de HIV têm uma doença crônica que não provoca mais faltas ao trabalho. O segundo ponto é ainda mais sério no sentido do desconhecimento que deixa transparecer, a ideia de que se você tem alguém com HIV em sua empresa isso pode, potencialmente, infectar outros funcionários. Não faço ideia de como algo assim poderia acontecer se não houver contato sexual ou contato de sangue. E isso raramente, quase nunca, acontece no ambiente de trabalho.”
Mal-entendido
De acordo com o AIDSFonds, portadores de HIV são estigmatizados tanto por pessoas com alta como com baixa escolaridade. E, portanto, também por empregadores e colegas de trabalho. O AIDSFonds realiza desde 2009 uma campanha para acabar com os mal-entendidos sobre a doença. E nisso recebe o apoio da organização patronal holandesa VNO-NCW, que acredita que mais informação é a solução para a estigmatização de pacientes com HIV.
Para Roy isso não aconteceu em seu antigo emprego. Ele pediu demissão e decidiu recomeçar. A compreensão e conhecimento sobre HIV-AIDSvaria muito de empresa para empresa, acredita Roy:
“Tenho um novo patrão e a única coisa que posso dizer é que é excelente. Tenho recebido muito apoio e boas reações dos colegas.”
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