AIDS: Todos são vulneráveis’, alerta a Saúde

 

Cruzeiro On Line

 

Mulheres, heterossexuais e jovens. Atualmente são esses os segmentos mais vulneráveis em Sorocaba para infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, conhecido como HIV (Human Immunodeficiency Virus). Dados locais dos últimos dez anos apontam o aumento de mulheres infectadas no município. Hoje a relação é de dois homens para cada mulher. A epidemia também está “rejuvenescendo”, com índice cada vez maior de pessoas na faixa etária dos 19 anos aos 49 anos, a fase mais produtiva e reprodutiva, tanto de homens quanto de mulheres, observa a enfermeira coordenadora do Programa Municipal DST/Aids, Maria Tereza Morales Dib.

 

De acordo com levantamento de 1985 a 2009, em Sorocaba foi notificado um total de 2.849 casos de Aids, do qual 66% é homem e 34% mulher. Tais dados revelam que a relação é de 2 homens para cada mulher, o que foi confirmado por dados atuais, destaca a coordenadora do Programa DST/Aids. Tereza Dib conta que do total notificado 53% dos infectados estão vivos e 44% foram a óbito. Existe ainda um índice de 2% a 3% que, por mudança de cidade ou outra razão, não consta no sistema ou não foi notificado. A Vigilância Epidemiológica atua na investigação para recuperar as informações.

 

Tereza Dib explica que a faixa etária com maior índice de infecção tem sido dos 19 aos 49 anos. “Está havendo uma mudança no perfil. A epidemia não está envelhecendo, mas rejuvenescendo”. As pessoas têm sido acometidas pelo vírus nas fases mais produtivas, no caso das mulheres também a reprodutiva. Essas têm sido as características predominantes nos últimos dez anos, acrescenta. Outra informação é quanto a via de transmissão, que é a heterossexual, segundo a coordenadora do Programa DST/Aids. “Hoje a epidemia é hetero, com o aumento de casos em mulheres”, acrescenta ela.

 

A coordenadora do DST/Aids comenta que, quanto à infecção pelo vírus, não existe classe social ou raça. “Todos são vulneráveis”. Tereza conta que o maior desafio das equipes do programa é ampliar o diagnóstico, detectar a infecção precocemente. Ela explica que ainda nos dias atuais é possível encontrar uma pessoa em situação de Aids. “Isso reduziu, mas é muito ruim”. A pessoa infectada pode vir a ter Aids depois de 5 a 10 anos, mas seu sistema imunológico é afetado e ela estará transmitindo a doença e se reinfectando. “O vírus é mutável e existe mais de um tipo de HIV no Brasil”, alerta ela.

 

“Vertical Zero” e Clínica DST/Aids

 

Diante do aumento de infecções pelo HIV em mulheres, Tereza Dib ressalta a importância do Programa “Transmissão Vertical Zero” para evitar a transmissão do vírus para o bebê. O programa foi implantado em 1998, sendo registrado apenas um caso entre 98 e 2000. Mas a mãe não havia feito pré-natal na rede de saúde de Sorocaba, recorda-se ela. A partir de 2001 o município ganhou destaque com o protocolo. Nenhuma gestante portadora de HIV inscrita no pré-natal da rede municipal transmitiu o vírus para o filho, afirma. Toda a assistência é gratuita e oferecida nos 29 centros de saúde da cidade.

 

Atualmente a Clínica Municipal de DST/Aids assiste em torno de 2 mil pessoas, de crianças a idosos, informa. Em torno de 800 tomam o “coquetel” e são acompanhadas por especialistas de diversas áreas, entre psicólogo, dentista e infectologista. Tereza adianta que os serviços e assistência devem ser ampliados às Pessoas Vivendo com HIV e Aids, as chamadas PVHA. A iniciativa será possível com a Clínica Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids), em construção na rua Manoel Lopes, Vila Hortênsia. O prédio está previsto para ser entregue em maio de 2010.

 

Destaque nacional

 

Sorocaba, recentemente, ganhou destaque nacional devido às ações de combate e prevenção à Aids desenvolvidas na cidade, lembra Tereza Dib. O Boletim Epidemiológico de Aids/2009 divulgado pelo Ministério da Saúde (MS), apontou Sorocaba, entre as cidades com mais de 500 mil habitantes, como o segundo município com maior redução dos casos da doença no período de dez anos: entre 1997 e 2007. Dados apresentados indicam uma queda de 55,3% dos casos de Aids. Esse êxito é atribuído às várias frentes engajadas na ação, mas em especial na prevenção, assistência e tratamento. (Por Telma Silvério)

 

Jornal Cruzeiro do Sul 

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