Os testes citológicos anais são úteis na detecção de alterações celulares pré-cancerígenas em doentes com infecção pelo VIH
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Michael Carter, Tuesday, January 26, 2010 |
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Investigadores do Reino Unido, reportam, na edição online do jornal AIDS, que a citologia anal pode ser uma ferramenta útil na detecção de alterações celulares pré-cancerígenas que podem levar ao cancro anal.
No entanto, o desempenho do teste dependeu do grau de doença presente. Além disso, teve um maior grau de precisão nos doentes com contagens das células CD4 abaixo de 400/mm3 do que nos doentes com sistemas imunitários mais fortes.
Os investigadores acreditam que a confirmação de que a ferramenta do rastreio tem precisão especialmente nos doentes com contagens mais baixas das células CD4 é importante, “dado o diagnóstico tardio da infecção pelo VIH numa taxa importante de pessoas e o risco acrescido de cancro anal neste grupo”. Notam, também, que a precisão da citologia anal é comparável à citologia do colo do útero.
Na Inglaterra, a taxa do cancro do colo do útero diminuiu drasticamente após ser introduzido o programa de rastreio. Ao contrário, o número de casos de cancro anal diagnosticados em anos recentes aumentou. Taxas elevadas são observadas sobretudo nas pessoas seropositivas para o VIH.
Antes de se desenvolver cancro anal, formam-se no ânus as lesões pré-cancerígenas, que são designadas por neoplasia anal intra-epitelial. Um diagnóstico precoce permite que estas alterações pré-cancerígenas sejam tratadas com eficácia.
Apesar das taxas elevadas de cancro anal entre os doentes seropositivos para o VIH, não se fazem rastreios de rotina neste grupo para verificar a presença de células pré-cancerígenas. Isto é devido em parte ao facto, que a informação actual relativa à precisão dos métodos de rastreio, entre os quais a citologia, é limitada e contraditória.
Os métodos de rastreio tais como a biópsia, usados nas leituras histológicas, ou a anuscopia de alta-resolução podem provocar desconforto.
Investigadores de Londres iniciaram o estudo usando testes citológicos anais (ou testes Papanicolau) em 2005, com o objectivo de perceber melhor a sua precisão.
A seguir, compararam o desempenho da citologia anal com o da histologia anal e da anuscopia de alta-resolução. O teste citológico era fácil de fazer e envolvia a realização de um esfregaço a 5 cm no canal anal.
O estudo envolveu 395 pessoas que foram rastreadas entre 2005 e 2009. A maioria era constituída por homens e 54% eram seropositivos. Estes doentes disponibilizaram 584 resultados de esfregaços para avaliação.
“Isto é um estudo da vida real, baseado na prática clínica”, comentam os realizadores do estudo.
Os investigadores conduziram análises de sensibilidade. Assim se determinou quantos casos de alterações das células anais pré-cancerígenas foram detectados pelo teste citológico, que tinham sido diagnosticados anteriormente usando ou a histologia ou a anuscopia de alta-resolução.
Globalmente, a citologia detectou 70% dos casos diagnosticados usando a citologia e 69% dos diagnosticados com a anuscopia de alta-resolução.
A citologia detectou 71% dos casos de doença pré-cancerígena em homens gay que foram diagnosticados usando a histologia. A percentagem para os heterossexuais foi de 58%. Resultados semelhantes foram observados quando a citologia foi comparada à anuscopia de alta-resolução.
Tanto nos doentes com o primeiro diagnóstico como nos acompanhados, a citologia anal foi mais precisa quando existiam duas ou mais áreas da doença.
A citologia anal foi mais precisa nas pessoas seropositivas do que nas pessoas seronegativas. Isto verificou-se quando os resultados foram comparados com os obtidos usando a anuscopia de alta-resolução (sensibilidade 75% vs 61%, p = 0,015) e a histologia (76% vs 59%, p = 0,009).
A doença em grau elevado foi detectada pela citologia anal em 80% dos casos nos doentes seropositivos e em 93% dos casos nos doentes seronegativos.
Entre os doentes com VIH, o teste citológico anal teve maior grau de precisão entre os doentes com contagens das células CD4 abaixo de 400 células/mm3. Nestes doentes, foi detectado 90% dos casos de doença em comparação com uma sensibilidade de 80% nas contagens mais elevadas de células CD4.
Os investigadores acreditam que a citologia anal pode ser uma ferramenta de rastreio particularmente útil nos doentes diagnosticados tardiamente.
Nos doentes em tratamento anti-retroviral, a citologia detectou 77% dos casos de doença identificados pela histologia. A citologia teve uma eficácia semelhante nos doentes que não estavam sob terapêutica anti-retroviral, tendo uma sensibilidade de 73%. Resultados idênticos foram observados quando os resultados da citologia, seleccionados com base no estatuto para o tratamento do VIH, foram comparados com os da anuscopia de alta-resolução.
A análise estatística mostrou que a citologia anal foi significativamente mais precisa nas pessoas com doença anal mais extensa (p < 0,0001) e nos doentes seropositivos com contagens das células CD4 mais baixas (p = 0,048).
Por último, os investigadores verificaram que a citologia teve maior grau de precisão nos doentes com diagnósticos recentes. O teste detectou 74% dos casos de doença nos casos recentes que foram diagnosticados usando a anuscopia de alta-resolução e 63% dos que usavam este método de rastreio em doentes já em acompanhamento.
Os investigadores afirmam, que “dada a imprecisão de qualquer método de avaliação, precisamos de ter vários métodos de avaliação para o diagnóstico da neoplasia anal, tal como no caso da neoplasia do colo do útero”.
Segundo os investigadores, “Este estudo suporta a introdução de um rastreio mais precoce nos doentes seronegativos, dada a taxa elevada de doença anal e uma sensibilidade acrescida com níveis mais baixos de contagens das células CD4”.
Referência
Mayura N et al. Performance of anal cytology in a clinical setting when measured against histology and high-resolution anoscopy findings. AIDS 24 (edição online), 2010.
Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
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