Circuncisão: No Brasil, governo não proíbe nem recomenda
Publicado em 12 de junho de 2011 (há 15 anos, 4 meses e 11 dias)Atualizado em 5 de setembro de 2026 (há 1 mês e 18 dias) DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações....
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| AIDS | DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS Fernanda Bassette – O Estado de S.Paulo
No Brasil, o Ministério da Saúde não recomenda nem proíbe fazer a circuncisão em bebês – a decisão de realizar ou não a cirurgia na criança cabe aos pais e, caso a família decida operar, o procedimento é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Ivo Brito, coordenador da área de direitos humanos, riscos e vulnerabilidade do DEPARTAMENTO DE DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, a prática é recomendada como medida de saúde pública nos EUA, no Canadá e na Austrália, embora não seja compulsória.
“No Brasil não há recomendação explícita de fazer a circuncisão em bebês como uma medida de saúde pública. Aqui, a cirurgia só é recomendada quando há indicação precisa, como a fimose (estreitamento anormal da pele que recobre a glande)”, diz.
Se a fimose não for operada, ela cria um ambiente úmido e difícil de ser higienizado, que favorece a proliferação de germes, vírus e bactérias no local. Por isso, vários estudos internacionais apontam que homens circuncidados têm menos risco de desenvolver câncer de pênis e de contrair o HIV, além de outras doenças sexualmente transmissíveis.
“Em locais com epidemias elevadas de HIV, como a África, a circuncisão é um fator de proteção do homem. Estudos demonstram que a proteção de homens circuncidados chega a até 65%”, explica Brito.
Crianças. José Gabel, do departamento de pediatria ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria, diz que, do ponto de vista científico, a circuncisão “é comprovadamente benéfica para as crianças”. “Mesmo assim, a orientação no Brasil é só fazer a cirurgia em caso de fimose.”
Paschoal Napolitano Neto, cirurgião pediátrico do Hospital Edmundo Vasconcelos, diz que a cirurgia de fimose é bastante comum em meninos com mais de 3 anos. Antes disso, diz Neto, o pós-operatório é complicado.
De acordo com Neto, também é comum que a criança faça circuncisão se, por acaso, for operar de uma hérnia, por exemplo. Assim, os médicos aproveitam a anestesia. “Não recomendamos fazer a cirurgia em recém-nascidos. Mas se os pais forem judeus ou muçulmanos eu faço a cirurgia. Não discuto religião”, diz.
Segundo o Ministério da Saúde, no ano passado foram realizadas 31.924 cirurgias de fimose em meninos de 0 a 15 anos. Até abril deste ano foram registrados 9.652 procedimentos. O ESTADO DE S. PAULO – SP | VIDA |
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