Mais homens seronegativos para o VIH estão a ter relações sexuais desprotegidas em relações sexuais primárias, mas nem todos conhecem o estatuto serológico dos parceiros
Roger Pebody Investigadores relatam num artigo publicado online antes da edição impressa da revista Sexually Transmitted Diseases que, continuando a verificar-se uma tendência de crescimento...
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Investigadores relatam num artigo publicado online antes da edição impressa da revista Sexually Transmitted Diseases que, continuando a verificar-se uma tendência de crescimento observada há mais de uma década, 36% dos homens que fizeram parte de um estudo efectuado em 2008 em ginásios londrinos tinha tido relações sexuais anais desprotegidas nos três meses anteriores. No entanto, dizem os investigadores, este aumento geral “esconde um quadro mais complexo” no que diz respeito ao estatuto serológico dos parceiros destes homens.
Actualmente, ocorre mais sexo desprotegido entre parceiros com o mesmo estatuto serológico do que entre parceiros com estatuto serológico para o VIH desconhecido ou discordante. Além disso, tem havido um aumento no número de homens que relatam ter relações sexuais desprotegidas com um parceiro principal cujo estatuto é desconhecido ou diferente.
Efectua-se, desde 1998, um inquérito anual nos ginásios londrinos que são frequentados por homossexuais masculinos. O inquérito foi anualmente realizado entre 1998 e 2005 inclusive e finalmente em 2008, quando participaram 648 homens.
Entre outras coisas, foi perguntado aos homens se tinham tido sexo anal desprotegido nos últimos três meses e para especificarem se tinha sido com um parceiro principal ou ocasional. Eram igualmente solicitadas informações sobre o seu próprio estatuto serológico para o VIH e se sabiam o estatuto do parceiro(s) com quem tinham tido sexo anal desprotegido.
Quando o estudo foi realizado pela primeira vez, em 1998, 24% dos homens relatou ter tido sexo anal desprotegido recentemente (UAI, em inglês), um valor que subiu para 36% em 2008.
No entanto, tanto no inquérito de 2005 como no de 2008, mais homens relataram ter tido relações sexuais desprotegidas com homens com o mesmo estatuto serológico (“serosorting”, em inglês) do que com homens com estatuto desconhecido, presumido como ou diferente para o VIH. Traduzindo isto em números, em 2008, 21% relataram UAI com homens com o mesmo estatuto e 16% relataram UAI com homens de estatuto desconhecido, presumido ou diferente.
Entre os homens seropositivos, 14% “serosorted” com parceiros casuais em 2008. Embora o número de homens a relatar este comportamento tenha subido em inquéritos anteriores, foi menor em 2008 do que em 2005. Além disso, 10% dos homens seropositivos tinham tido sexo desprotegido com um parceiro principal que era igualmente seropositivo para a infecção pelo VIH.
Entre os homens que indicaram que o último teste para o VIH tinha sido negativo, menos de 2% “serosorted” com parceiros casuais. Contudo 21% tinha tido sexo desprotegido com um parceiro principal cujo último teste para o VIH tinha sido igualmente negativo. A percentagem de homens que relata este comportamento tem vindo a aumentar desde o primeiro inquérito em 1998, quando este valor foi de 12%.
Os investigadores expressaram a sua preocupação sobre o modo como os homens seronegativos estabelecem que o parceiro usual tem o mesmo estatuto. Enquanto quatro em dez foram testados em conjunto, os outros falaram sobre o seu estatuto. Os autores consideram que isto é insatisfatório uma vez que a precisão da informação partilhada está dependente do tempo passado desde o último teste e de subsequentes comportamentos de risco.
Passando agora ao sexo desprotegido com parceiros cujo estatuto para o VIH pudesse ser diferente, as primeiras relações parecem ser aquelas onde uma crescente assumpção de risco está a ocorrer, embora os números absolutos permaneçam baixos.
Comparando os inquéritos de 2005 e de 2008, houve aumentos significativos no número de homens a relatar ter tido sexo desprotegido com um parceiro principal de estatuto serológico para o VIH desconhecido, assumido ou diferente.
Entre os homens seronegativos, isto foi relatado por 2,1% em 2005, subindo para 5,5% em 2008. Em quase todos os casos o estatuto do parceiro era desconhecido, ou assumido como sendo o mesmo ao invés de conhecido por ser diferente.
Entre os homens seropositivos, a percentagem foi de 2,5% em 2005, aumentando para 8,1% em 2008. Em metade destes casos aproximadamente, o estatuto serológico para o VIH do parceiro era conhecido como sendo seronegativo.
Em relação ao sexo desprotegido com parceiros ocasionais de estatuto desconhecido ou assumidamente seropositivo para o VIH, uma proporção bastante significativa de homens seropositivos relatou tal (19%), embora este número seja muito inferior em relação a inquéritos realizados no início da década.
Menos do que 6% dos homens seronegativos referiu este comportamento, o número mais baixo relatado em qualquer destes inquéritos efectudos nos ginásios. Os investigadores comentam: “Esta é uma tendência encorajadora e reflecte provavelmente as campanhas de saúde consistentes e sustentadas dirigidas à população homossexual masculina”.
Resumindo, os investigadores comentam que estes resultados ”sugerem que os parceiros principais podem se ter tornado numa importante fonte de risco para o VIH entre os homens gay de Londres.” Recomendam que mais campanhas de promoção da saúde sejam focadas nos riscos do VIH no contexto das relações e na promoção do teste entre os casais.”Referência
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