Abuso Sexual a menores: Oportunidade perdida pela Igreja
Abuso Sexual a menores: Oportunidade perdida pela Igreja Thomas MedichinniNos últimos anos do papado de Bento XVI, 400 padres foram demitidos e, pela nova lei, eles jamais poderão atuar como...
Abuso Sexual a menores: Oportunidade perdida pela Igreja

Nos últimos anos do papado de Bento XVI, 400 padres foram demitidos e, pela nova lei, eles jamais poderão atuar como sacerdote
Francisco criou comissão internacional para enfrentar crise dos abusos sexuais e propor solução
O terceiro erro foi ver a crise dos abusos como uma luta pelo poder. Aqui, os bispos viam a “mídia secular e liberal”, que se opunha aos bispos nas questões do aborto, casamento gay e contracepção, como uma tentativa de destruir a igreja. Eles viam os procuradores e políticos como que tentando interferir no funcionamento da igreja. Eles viam os advogados das vítimas como aqueles que estavam enchendo os bolsos com grandes pagamentos. Eles viam os católicos liberais insistindo com os assuntos sobre padres casados, mulheres sacerdotes e reformas democráticas na igreja. Ver a crise como uma luta pelo poder tornou quase impossível para a Igreja fazer a coisa sensata: fazer um bispo admitir seus erros, assumir total responsabilidade e renunciar. A renúncia era vista como uma vitória para os advogados, para a mídia e para aqueles que queriam mudar as práticas da Igreja. Em vez de fazer o melhor para a Igreja, os bispos esperaram até que sua credibilidade estivesse destruída, tornando impossível para a igreja se curar. Tudo isso foi devastador, especialmente para as crianças que foram abusadas e para as vítimas mal tratadas pela Igreja, mas também foi devastador para a própria Igreja. Relatório ignora o ‘tolerância zero’ da Igreja O relatório da comissão da ONU, no entanto, ignora o que o Vaticano tem feito para melhorar as coisas. O Papa Bento XVI fez da tolerância zero a lei universal da Igreja. Isso significa que se um padre estiver envolvido no abuso de uma criança ele nunca mais poderá atuar como um sacerdote novamente. Nos dois últimos anos de seu papado, cerca de 400 padres foram demitidos do sacerdócio. Além disso, as igrejas locais devem seguir as leis locais e denunciar o abuso às autoridades civis. O Papa Bento XVI também ordenou que cada conferência episcopal do mundo elaborasse políticas e procedimentos para lidar com casos de abuso sexual. Teria sido legítimo por parte da comissão perguntar se as políticas da Igreja estão, de fato, sendo aplicadas e se os bispos que não as seguem estão sendo responsabilizados. Por exemplo, o bispo Robert Finn, de Kansas, Missouri, foi condenado em tribunal por não denunciar um padre. Ele está ainda no cargo. A Conferência Episcopal Italiana decidiu não exigir dos bispos em denunciar padres abusadores às autoridades. Ela deveria dizer para que eles o fizessem. E algumas conferências episcopais não cumpriram o prazo para a apresentação de suas políticas e procedimentos para a revisão. Foi bom que o Papa Bento XVI estabelecesse melhores políticas para a igreja católicia, mas agora o Vaticano precisa ter certeza de que os bispos as estão seguindo. Além disso, é legítimo perguntar o que mais deveria ser feito. Mais transparência certamente deveria estar no topo da lista. Em dezembro, o Papa Francisco anunciou a formação de uma comissão internacional para estudar a crise dos abusos sexuais e para que fosse feita uma lista das melhores práticas a serem tomadas. Compartilhar as melhores práticas é uma excelente ideia de forma que o resto da Igreja possa aprender com a Igreja dos EUA e não cometer os mesmos erros que esta última cometeu. Nos primeiros tempos da crise, os europeus pensavam que o abuso sexual era um problema americano. Então, quando ele atingiu a Irlanda e a Inglaterra, ele foi rotulado como um problema “de língua inglesa”. Em seguida, ele atingiu os países de língua alemã. Foi trágico assistir todos os bispos desses países repetir os erros dos bispos norte-americanos. Hoje, temo que os bispos da América Latina e da África achem que isso é um problema “de primeiro mundo”. Eles estão prontos para cometer os mesmos erros novamente. Eles dizem não saber de muitas vítimas. Nem os bispos dos Estados Unidos até a década de 1990. Eles precisam ser proativos e não esperar até que o problema exploda sobre eles. Reconhecer que a Igreja está trabalhando melhor hoje não diminui sua responsabilidade pelo terrível trabalho que fez no passado. Também não significa que não deve procurar constantemente por melhores formas de responder aos abusos dos padres. Nota do editor de Soropositivo Web Site: Sem dúvida que o abuso sexual a menores é uma chaga viva dentro da Igreja católica. Geralmente eu me ponho, quase sempre, contra a Igreja e seus sacerdotes, não seus crentes, porque a maneira como a igreja tenta manipular o povo (eu vi isso com meus próprios olhos) com mentiras é ignominiosa e mordaz ao mesmo tempo! Mas o abuso sexual a menores existe em todos os núcleos onde se reúnem “seres humanos” e ninguém faz nada. Com o perdão da palavra, é FODA, eu diria fodíssima!
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