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Uma inesperada reviravolta depois de tomar o meu primeiro antirretroviral

Truvada (4)A minha primeira pílula foi acompanhada por um turbilhão de emoções: raiva, depressão, frustração, felicidade, negação e tristeza. Eu fui diagnosticado em Abril de 2014, e tudo é muito recente. Mas os meses que se seguiram levaram-me a uma viagem de tais proporções que não haveria quantidade de apoio, informação ou conhecimento prévio que pudessem ter me preparado! Eu fui vítima de um abuso sexual há cerca de três anos, o teste que fiz foi contaminado e, portanto, deu uma leitura de falso negativo.

Lembro-me, em outubro de 2013, eu comecei a ter grandes problemas de saúde. Ela (a saúde) começou a declinar… eu tinha mais de 500 cálculos biliares, enquanto o meu peso estava em caindo. Desde então, a minha saúde tem sido em uma espiral descendente. No curto espaço de tempo de outubro de 2013 até os dias atuais, tive sete cirurgias, seis procedimentos e muito mais compromissos médicos que eu gostaria de ter na idade de 25 anos.

salkQuando meu médico me falou sobre o meu diagnóstico, lembro-me de uma sensação imediata de vazio. Era 10:03 e fui para o trabalho normalmente e realmente terminei minha semana sem perceber qualquer coisa diferente. Tudo mudou no sábado de manhã. Levantei-me e olhei para os resultados e o frasco de comprimidos que estavam com ele. A ideia de que, antes disso, eu nunca tinha tomado quaisquer comprimidos com exceção dos medicamentos de venda livre me afetou muito e levou muito tempo para se concretizar em meu espírito a necessidade daquele comprimidos…

Lembro-me de mim dizendo-me que eu não tinha de tomar os medicamentos se eu não quisesse, embora eu soubesse que, no fundo, EU TINHA de FAZÊ-LO. Como não tenho o privilégio de ter a minha família em volta de mim para apoiar-me e eu fiquei muito envergonhado de dizer a qualquer dos meus amigos, eu estava enfrentando o monstro da batalha completamente só.

Aquilo que pareceu-se com horas segurando os invólucros dos medicamentos nas minhas mãos passou enquanto eu lentamente debatia comigo mesmo sobre qual o lado da moeda seria e eu perdi… A minha vida foi lentamente caindo por debaixo de mim e eu não tinha nada que pudesse fazer com ela.

Por que eu? Esta é a pergunta quase que inevitável

Por que eu? Esta é a pergunta quase que inevitável

“O que foi que eu fiz para merecer isso?”

Foi a única coisa que eu consegui me perguntar por várias vezes. Eu liguei para meu médico e disse-lhe que eu estava tendo problemas com a tomada dos comprimidos. Ele garantiu-me que seria tudo normal e que meus números (carga viral e CD4) não eram as melhores devido aos anos que eu fiquei sem saber da minha sorologia e sem receber medicação — por isso o meu corpo teve um grande trabalho de recuperação para fazer (a minha carga viral era 101.500 e eu tinha uma contagem CD4 de 51).  Entretanto, eu estava lutando contra o cálculo biliar, apendicite aguda, amigdalite, HPV (papilomavírus humano), a hérnia de hiato, gastrite, depressão e candidíase na boca.

Digitally generated roman numeral clockAntes de tomar a minha primeira pílula antirretroviral, eu tinha pensado que isso era apenas a retardar o inevitável. Depois de horas de luta, consegui pegar meus remédios. A mim foi prescrito  ( Isentress, o raltegravir) duas vezes ao dia e Truvada(tenofovir/FTC) uma vez por dia. Na primeira hora após tomá-los me senti normal, depois as coisas mudaram. E senti uma imensa dor no meu estômago, acompanhada de náuseas, tonturas, dores de cabeça, alucinações e perda da minha memória de curto prazo. Lembro-me de acordar no chão do banheiro, numa tentativa de lavar meu rosto com água que nunca cheguei a oportunidade de concluir.

Muitas falhas mais tarde, eu percebi que eu não poderia lidar com isso sozinho. Eu chamei minha família e pedi aos amigos que me encorajassem, e eu seria capaz de fazer isso. Lá pela metade do fim-de-semana o meu médico poder me prescrever alguma coisa para ajudar com os efeitos colaterais. Infelizmente, devido ao número de operações que eu estava tendo, o meu corpo nunca teve a chance de se recuperar ou ganhar força suficiente para lidar com qualquer coisa. Logo perdi meu emprego, tive de largar escola e eu estava sempre no hospital. Seis meses mais tarde, e eu ainda estou lutando contra os efeitos colaterais do meus remédios, mas sempre lendo os trechos outros depoimentos no The Body que me diziam que, um dia, não seria mais tão difícil.

Meu desejo é que eu fosse um dos afortunados que não têm quaisquer efeitos colaterais; mas o que não nos mata, nos fortalece . Para quem está tendo problemas com os remédios eu digo que você pense que esta é uma luta íntima! Não desista. Não cedas. Eu posso continuar a olhar em frente com esperança nos olhos e sei que tudo vai ficar melhor vai ficar melhor!

Por John Poole
De TheBody.com

10 De Novembro de 2014

Qual foi a sua primeira  pílula antirretroviral? Se era AZT ou Atripla, queremos que você conte sua história! Escreva a sua história (entre 200 e 1.000 palavras, por favor e envie para soropositivowebsite@gmail.com e nós publicaremos se você nos autorizar a isso

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Sobre Claudio do Soropositivo.Org (502 artigos)
Depois de assar quatro décadas tentando estabelecer pelo menos um armistício com meu pai e ver as falhas ocorrerem sistematicamente, tentativa após tentativa, eu desisti do sobrenome “de Souza”. Estava me preparando espiritualmente para isso quando uma amiga locupletou a façanha de descobrir onde está minha mãe... Sim, aquela que foi embora de casa e abandonou a mim e a meu irmão à nenhum mercê do conjunto truncado de sinapses que poderia muito bem representar meu pai. Assim, abandono os dois nomes na vida pública na rede e passarei a ser conhecido apenas pela minha condição Cláudio Soropositivo. Quem preferir, aluda-se a mim como o Cláudio do Site Sei que, para muitos, esa é uma decisão assustador. Mas foi muito mais assustador dorir no fundo do poço do elevador de um prostíbulo, enrolado num carpete cheirando a mofo, como única maneira de me abrigar do frio e Deus sabe o porquê de eu não ter sido mordido por um rato... É, sim, eu sou este da foto, que muda de vez em quando, mas sempre parece a cara de um gangster de filmes do Scorsese ou do Tarantino e, francamente, eu acho bom que seja assim. Eu mostro meu rosto, embora alguns me censurem, porque, no meu modesto ponto de vista, ser portador de HIV não é crime e, portanto, não há do que me envergonhar. Eu contraí HIV via sexual. Eu fui um DJ e, durante cinco anos fui DJ no vagão Plaza e durante uns outros dois fui DJ do Le masque. Lá, um filho da puta me pediu para fazer minhas férias e puxou meu tapete. Aí fui parar na "Segredos", uma casa gay e, de quebra, morei lá por um tempo. Rua da Amargura, onde R.A. Gomes me colocou. Mas dei a volta por cima e fu trabalhar na SKY. Depois, na Pink Santher, em Santos e, enfim, na XEQUE Mate e, terminei minha carreira, aquele que fora três vezes considerado o Melhor DJ de São Paulo, como um apagado DJ do La Concorde e do Clube de Paris, onde conheci uma das mais belas mulheres com quem convivi e a perdi. Conheci alguém novo, uma mulher "do dia", que me apresentou esta Entidade, o computador e, por muito tempo vivi de consertá-los. Sei, hoje, que ainda há muita gente que me odeia. Quer saber? Get them the hell and fuck off porque eu não dou a mínima. Simplesmente faço meu trabalho e me reporto a Deus...
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