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Artigos, Traduções e Edições

Pituca & Lobo foram amigos distantes, cada um de um gênero diferente, embora Pets, me ensinaram muito, cada um à sua própria maneira, com a minha maneira tão diversa de discernir aos 23/24 anos e aos 38 anos.

E, naturalmente, com tudo quilo que tenho aprendido, quase que todos os anos, com a paciência e vagar destes dois amigos….

…Pituca & Lobo

Uma breve introdução. este texto é original do ano dois mil, em maio, quando eu estava na fase final da “criação e montagem daquilo, uma espécie de “Frankenstein”, que eu estava criando como a primeira versão palatável, segundo meus ambíguos conceitos gráficos, que você pode ver nesta imagem.

Soropositivo.Org
Clicando na imagem abrir-se-a um link que mostra, em outra aba, toda a história gráfica do Blog que nasceu site antes de existirem blogs!!!

Eu estava, nesta época, conduzindo, a PUNHO TEUTÔNICO como se eu soubesse agir de outra forma) uma coisa que se chamava “lista de discussões por e-mail” que, sintetizada, era a rede social daquela poca, da mesmo forma que o ICQ de então, era o What’s APP de hoje! 

ICQ este que, a trancos e barrancos, de perda de lista de contatos cotidiana e desesperada busca posterior, eu e Mara sempre arranjávamos um meio de nos reencontrarmos!

Maktub.

Minha proposta, aqui, é contar duas história, cada uma delas separadas uma da outra por mais de quinze anos, reeditando um texto, de sua primeira publicação, dista de nós algo em torno de “quase vinte anos”.

A meta final desta proposta está delineada em minha mente. Falar de minha cachorrinha e meu cachorrão!

Mas o caminho até ela ainda não foi percorrido. O caminho passa por minha releitura, algumas correções ortográficas pois, a bem da verdade, naqueles tempos tudo era tão urgente para mim, tudo era tão assustador que eu pouco me lixava pela fidelidade ortográfica do texto; cara correção, eu sentia, teria sido algum delay que prejudicaria a possibilidade de uma outra mensagem, ainda antes de me encontrar com o fim, o apavorante fim, o triste e angustiantemente esperado fim!

Era tão assustadora aquela “coisa” em nossas vidas que, Mara e eu, decidimo-nos por não termos um filho ou filha, ou filhos, pois o risco de termos trazido à Luz uma criança portadora de HIV, potencialmente órfã.

Erramos, talvez esta criança fosse, hoje, um moço ou moça, que importa, e estivéssemos ainda mais felizes, apesar de alguns arranca rabos por aqui!!! Coisas do amor!

Amar é Mostrar vivendo Pituca e lobo fizeram-no, de forma diversa e complexa!

Expandir mensagens

  •       Claudius, o Celerado

25 de maio de 2000

Voltei. A despeito de tudo voltei. Melhor?

Talvez. Sobrevivendo (…)

Um pequeno golpe financeiro e fui a ruína, nenhuma novidade Não é a primeira vez e, com certeza e infelizmente, não deve ser a última vez!

Minha vida é um reconstruir de ruínas.

O que me chateou mesmo foi minha cachorrinha Pituca.

Está dodói.

 Aquele montinho de pelos com pouco mais de Dois Quilos, minha cachorrinha, está lá, em sua casinha.

Muito triste, tristonha,  acabrunhada, sem ânimo, enrodilhada em torno de si com uma dor infinita e incognoscível em seus olhos.!

Em sua inocência canina, não compreende o porquê da dor, da doença do sofrimento.

Até outro dia estava feliz, pulando e latindo por todo o dia, e pela madrugada também, de tal forma que muitas vezes era até difícil suportá-lá sem ter de ralhar com ela.

Pituca, vai deitar!!!

E ela não ia. Hoje passei horas chamado-a para perto de mim e ela não vinha…

…Em seus olhos, eu via a súplica.estamos medicando a como possível.

Mas temo por sua sorte, que entrego a Deus, além da veterinária.

Eu tenho um terrível fraco emocional por estas criaturas pequeninas que ainda pagam os pesados tributos à própria evolução.

Do átomo fragilmente fissível e apoliticamente destruidor à luminosidade espiritual é um longo trajeto… mas posso estar dizendo bobagens…. o que sei é que amo os como criaturinhas de Deus.

E é isso que são, em suma, MAIS UMA DE TODAS AS Criaturas de Deus, o que me leva a uma outra época, com uma decisão difícil! A primeira decisão difícil para mim entre a cachorrinha e o Cachorrão foi dura! Eu… não vou me adiantar!

(1985/1986) O Cachorrão!

Mas a Pituca, assim doente, me trouxe a lembrança um antigo companheiro, que por falta absoluta de criatividade batizei de Lobo. O meu grande cachorrão!

Tinha um bom tamanho o bandido 🐘. 

Comia como uma draga era grande o bastante para assustar as pessoas!

E, para meu riso e pesar, ele tinha um prazer muito particular em vê-las correndo!  😂😂😂

Risos, nunca as pegava. 😂😂😂…

Corria, o canalha, sempre com o propósito de apavorar, não de pegar.

Era um bom amigo. E um grande sarrista. 

E o mundo não é afável com criaturas grandes, canalhas e sarristas!

Nestes tempos, o pateta aqui ainda era um DJ que atravessava a madrugada na noite de São Paulo ganhando pouco e só chegava em casa depois dos primeiros raios de sol era ele, Lobo, quem me recepcionava.

Eu subia  a rua em estado pré-comatoso em direção à casa

 Lembram do Dino, de Bedrock? 

Saltava o muro e corria toda a rua, uns 500 metros até chegar perto de mim, e me lamber, me morder como quem pede carinho, atenção afeto e me dizia:

Bem vindo, vamos rir! Eu corro atrás de umas moças, elas fogem e você ri, seu Pateta! Mara riu muito aqui! Não vá dormir agora.

Mas eu chegava em estado pre-comatoso e perdi muita fuzarca dele, o sacana!

A cor dele era destas cores de cachorro que não se definem em palavras, porque “amarelo é de matar”! Foi assim a primeira mensagem de marketing para Gold retrivers (…).

Lobo era bastante forte.

E este  mau hábito de correr atrás das pessoas era algo problemático, nunca consegui esclarecê-lo quanto a isso. E nunca pude vencê-lo no quesito salto em altura.

O sacana sempre encontrava um meio de libertar-se da coleira noturna ou, então, Teresa não o fazia, talvez de propósito!

E está teimosia lhe custou a vida. Alguém, com um coração duro como pedra, teve a coragem de envenená-lo.

Ah! Se tivesse morrido logo! 

Mas não, ele era forte e queria muito viver. 

E por isso lutou com um bravo!  Afinal, era o meu cão!

Dia após dia eu e a veterinária fizemos o que estava ao alcance da ciência. 

Quilos de aminofilina e outras drogas para aliviar a dificuldade respiratória dele. 

A veterinária explicou-me que o veneno provocara um infarto. E depois disso, o infarto provocou um derrame de líquidos nos pulmões do pobrezinho, um derrame plural, que acabei por vir a sofrer em 21/12/2005, episódio de minha primeira (…) embolia pulmonar!. 

Há Vida

Ofegante, a cada dia, já não mais se alimentava e sofria, cada dia mais. vinte e oito dias depois a piedade logrou êxito dias e a piedade acabou por vencer meu egoísmo e convenceu a minha consciência que nada, realmente nada, poderia ser feito além daquele ponto, que gerasse vida sem sofrimento que aquela criatura não poderia entender os porquês de tudo isso e eu mandou que ele fosse sacrificado.

Eram tempos difíceis e eu não era exatamente um DJ conhecido e, quando conhecido, era mau-cotado por conta dos barracos armados por Teresa, porta de casa noturna após porta de casa noturna, leia-se emprego perdido após emprego perdido e meus rendimentos eram pífios!

Trite Féretro

Para não o fazer caminhar eu o levei em um carrinho de pedreiro 😞  até a veterinária.

eu sei que  você pode também estar chorando, e pensando em parar de ler o texto. Prossiga, creio que valerá a pena para ti! E, se não o fizer, minhas lágrimas 😢 aqui, agora, terão sido em vão 😭

Muito mais magro, eu olhos tristes o entreguei na mão da veterinária. Neste instante, parece-me, ele pressentiu o que se daria e, talvez um delírio meu me olhou com um misto de amizade tristeza que só os cães sabem fazer. Não durou um minuto. Eu não o vi ser sacrificado, e não teria suportado, é verdade (estou chorando aqui) mas a veterinária disse que ele não teria sentido nada e, sinceramente, eu prefiro acreditar que foi assim!

Mas carrego comigo até hoje a dor de não saber se agi corretamente. 

Penso sempre que talvez, apenas talvez, se eu esperasse mais um dia, poderia ter uma surpresa.

Mas não soube esperar este dia e jamais saberei o que teria sido se não fosse, pois o futuro do pretérito a Deus pertence e já não me cabe mais questionar o passado.

(2001)

Hoje, tenho comigo a minúscula Pituca, um nome que Elisângela) escolheu, com pouco mais de três quilos sofrendo de parvovirose. 

Começo a tomar verdadeira aversão por vírus e por sua sanha insana de matar.

Parvo vírus, HIV, rota-vírus, influenza, todos… Só falta o “patso vírus”!

Compreendo a necessidade da existência deles no mundo, mas a maneira como torturam os que lhes servem de hospedeiros me causa náuseas.

Mas, além destes, que são inconscientes, existem aqueles outros vírus, bem grandinhos, bem lúcidos, que são capazes de envenenar um cão….

They Pyssing me off! Me deixam P********

Esta capacidade humana de destruir, matar, enganar, corromper, destruir, torturar me cansa.

Nós, como homens, fazemos isso a animais e muito pior a nós mesmos, os homens.

Envenenamos nossas crianças com conceitos absurdos de separatismo que fazem com que cresçam pensando que…

  • … este não presta porque é assim. 
  • Aquele não presta porque é assado.
  • E o outro porque é assim e assado. 
  • Ou ainda assim, assim, 
  • ou assado, assado…

Envenenamos nossas crianças e elas depois conquistam o mundo segregando a nós mesmos; pois já estamos velhos e não servimos mais, pois somos assim, meios velhinhos, um tanto assados e  ultrapassados.

E aí queremos nos queixar. Ingratidão, dizem pais e mães.

Burrice, atesto eu. E nada é pior que burrice crônica.

Me perdi no contexto. Queria falar da Pituca, lá, doente, acabrunhada, e acabei fazendo um réquiem a um amigo distante e em me revoltando contra nós mesmos com nossos vícios de educação. 

Delírios de enfermo, penso eu, já que a maldita febre não me larga com a malfada pneumonia me assolando…

Entre a Pituca, o Lobo e nós, não há diferenças em excesso se os tomarmos por Criaturas de Deus nós todos! 

O direito à vida é nosso. 

Deus criou o universo para nós todos.

Sem exceção. Somos nós, com nosso egoísmo, com nossa vaidade, com nossa cobiça e nosso orgulho fazemos de nossas vidas uns infernos sem precedentes….

Diferenciamos tudo de tudo, por nada. 

E, a despeito de grandes campanhas de hipocrisia, continuamos diferenciando o azul da cor de abóbora só porque o azul esta no céu….

Isso está certo? 

Acho que não.

Mas o que eu acho não interessa muito né? Sou só um portador de HIV tentando se gente depois de muita lambança!….

E eu… Eu levei a Pituca à veterinária e ela me explicou em o caso e me disse que era fatal, pois ela sentiria fome, comeria e isso a faria ter cólicas intestinais e estomacais violentas e sangraria. Segundo a veterinária, era um caso de sacrifício.

Não, não e não! (Amy Winehouse)

Eu disse a ela um retumbante NÃO e perguntei se não haveria solução e ela disse que não. Eu insisto e ela me explicou que havia uma pequena possibilidade.

Cortar a alimentação dela por um período de sete a dez dias, mas que era uma grande injustiça para com o animal aquele meu egoísmo.

😡 O egoísmo me levou a matar um,pensei 😡

Eu agradeci, fui à farmácia. O tempo que servi no CRTA-A, na Rua Antônio Carlos me ensinou algumas coisas.

Saí de lá com um pacote com dez tubos de soro fisiológico de 1 litro, era até um exagero!

Mas eu tinha um plano.

Chegamos, eu e Pituca, eu a coloquei no lugar mais confortável que eu tinha para oferecer e não ter de movê-la a cada procedimento, raspei os pelos nas costas e encontrei a veia. Parecia que ela sabia o que eu estava falando e fazendo.

“Pitu… calma, vai doer, mas era para o seu bem. Vai doer (caim…).

E eu peguei a veia dela pela primeira vez. E fiquei ali, segurando 😨 o tubo de soro, acima dela até acabar.

Na metade do percurso, tadinha, ela urinou-se toda. Eu olhei por tudo aquilo e não havia sangue. Bom Pitu! Seus rins estão funcionando!

Como se ela soubesse o que seriam seus rins. Ela olhou para mim com uma carinha triste, aquilo não a animou, decididamente.

Quando o tubo estava acabando, outra vez ela se urinou!

Doze horas depois, a segunda pegada de veia tb foi certeira. E outra vez ela urinou!

A alimentação dela estava cortada há 24 horas e ela não mostrava sinais de desidratação.

Os olhos úmidos (lágrimas) a boca e o focinho também. 

Eu a abriguei do Sol, naturalmente e para não me delongar muito, em casa havia um clima de tristeza um grande silêncio.

Mas no oitavo dia sem comer ela latiu tanto que acordamos.

El se mostrava alegre, feliz, saltitante. Os saltos dela indicavam o lugar da ração dela

E, com medo, eu dei para ela uma bolinha de ração que foi devorada em três milésimos de segundo.

Eu esperei 30 minutos, sem vômito, eu arrisquei duas, e assim eu prossegui, aumentando gradativamente a quantidade de comida, a cada trinta minutos de “ckeck pointing”.

Eu me separei de Elisângela, minha vida não tinha futuro com ela, mas eu não carreguei pituca comigo.

(2019)

Pituca, diziam meus ex-sogros mas ainda amigos, que ela. que viveu, ainda, até 2014, pirava na batatinha quando lhe perguntavam:

Cadê o, Cláudio?

Se você conseguiu chegar até aqui comigo você deve ter entendido que muitas, muitas vezes, temos de sacrificar algo, por um bem maior! E podemos, sim, errar em nome desta busca, Faz parte do processo de aprendizagem e, observe, você tem todo o direito de aprender empiricamente ali, com a navalha na carne.

Mas também é verdade que você pode aprender empiricamente, baseando-se na experiência de muitos, ou de alguns.

Eu ofereço minha experiência.

A partir da terceira semana de janeiro terei reativado o meu contato via Whats App através do blog e, há outros meios para “bem agora”!

Mas esta escolha não é fácil, e sempre haverá os que lhe digam:

Impossível!!!

Ignore-os no momento exato em que decidir-se pelo caminho diferenciado da luta, pois em todo o trajeto haverá o que te coloque em dúvida e quem coloque em dúvida o que você está fazendo e mesmo a lisura do processo em si.

Se você tem certeza do que está fazendo, e nada te deixa a consciência nublada, toque o F* para eles e siga em frente.

Um dia após o outro, um passo de cada vez, segue em frente pois, citando Lao Tsé, eu colo:

Uma jornada de mil milhas começa com um simples passo!

E colando a mim eu reafirmo

Há vida com HIV.

Por mais que o céu esteja escuro em 2020 e nos anos seguintes, procure lembrar-se destas duas histórias que forma, em verdade, pano de fundo para uma outra! A de uma pessoa a quem deram seis meses, seis meses e, quase 25 anos depois, ainda estou aqui. Creio que seja bem possível, pois começo a perder a conta, até mesmo um pouco mais de 25 anos! Que diferença faz, se eram apenas seis meses?

Não desista. ão ainda! 

Nada como um dia após o outro para refazermos até mesmo nossas opiniões e, mesmo eu, meus textos! Um dia após o outro, Márcia viveu anos assim, até não poder mais!

E insisto, se você é recém diagnosticado com HIV, por favor, acredite em mim e veja no próximo link, que é possível ser diagnosticado com HIV e ser  feliz

Eu sou! E este é meu depoimento como soropositivo!

Eu falei com Pituca por telefone umas três vezes. 

Ela latia bastante quando os falávamos.

As coisas que dissemos um ao outro, nunca sabereis! Mas, para que te consoles, vez em quando, conversávamos sobre Lobo, isso eu conto, e ela me disse que estava tudo “bem”!

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Ainda conversamos, à nossa maneira. 😜

 

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